Operação Mercador cumpre 56 mandados em quatro estados e já prendeu quatro pessoas; investigação aponta fraude em registros de CACs e movimentações de mais de R$ 100 milhões

Quatro pessoas foram presas nesta segunda-feira (28) durante uma operação da Polícia Civil contra um esquema de comércio ilegal e desvio de armas para organizações criminosas. Batizada de Operação Mercador, a ação cumpre mandados em 56 endereços no Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Rio Grande do Sul.
No estado do Rio, os agentes estão nas cidades do Rio, Niterói, São Gonçalo e São João de Meriti. Na capital, um dos principais alvos da investigação mantém endereço em um condomínio na Barra da Tijuca e é apontado como responsável por articular parte da estrutura investigada.
As apurações indicam que os suspeitos conseguiam armas de forma aparentemente regular e, posteriormente, direcionavam os armamentos para o comércio clandestino. Fuzis, carabinas e pistolas de diferentes calibres estão entre as armas identificadas no decorrer da investigação.
Segundo a Polícia Civil, parte desses armamentos acabou localizada com integrantes de grupos criminosos, incluindo o Bonde do Maluco (BDM) e o Comando Vermelho (CV).
Fraudes para conseguir registros
Para obter autorização para compra e posse dos armamentos, os investigados teriam recorrido a uma série de documentos falsificados. Entre os recursos identificados estão laudos psicológicos fraudulentos, comprovantes de residência e vínculos de trabalho que não existiam.
O esquema também contava com intermediários que auxiliavam na obtenção dos Certificados de Registro (CR) de Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CACs).
Depois da aquisição legal das armas, os investigadores apontam que os produtos eram desviados para o mercado ilegal.
Empresas movimentaram mais de R$ 100 milhões
A investigação também chegou à movimentação financeira do grupo. Empresas ligadas aos investigados teriam sido utilizadas para movimentar os valores obtidos com as transações.
De acordo com a Polícia Civil, alguns dos estabelecimentos apresentavam atividades incompatíveis com aquelas registradas oficialmente, além de alterações societárias e operações financeiras consideradas atípicas.
Relatórios analisados pelos investigadores apontaram movimentações superiores a R$ 100 milhões.
A operação reúne equipes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) e da Polícia Civil da Bahia.



