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Panorama

Ministério da Saúde amplia vacinação contra HPV para crianças vítimas de violência sexual a partir dos 2 anos

Recomendação antes começava aos 9 anos; mudança ocorre diante do aumento das notificações de violência sexual na infância

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério da Saúde passou a recomendar a vacinação contra o HPV para crianças a partir dos 2 anos que tenham sido vítimas de violência sexual. A nova orientação consta em nota técnica publicada nesta semana.

Até então, a imunização para vítimas de violência sexual era indicada para pessoas com idade entre 9 e 45 anos. Segundo a pasta, a ampliação busca oferecer proteção mais precoce diante da vulnerabilidade dessas crianças e do aumento das notificações de violência sexual em menores de 9 anos.

Os dados apresentados pelo ministério mostram crescimento expressivo dos registros na infância. Entre crianças de 0 a 4 anos, as notificações passaram de 1.671 para 7.845 em um período de dez anos.

Na faixa de 5 a 14 anos, os casos aumentaram de 6.594 para 29.135 no mesmo intervalo. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, os registros subiram de 1.632 para 6.869.

HPV pode causar diferentes tipos de câncer

O HPV é uma infecção sexualmente transmissível associada ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, entre eles os de colo do útero, pênis, vulva, vagina, canal anal e orofaringe.

O vírus também pode provocar verrugas anogenitais e lesões nas vias aéreas superiores.

Na nota técnica, o Ministério da Saúde destaca que crianças vítimas de violência sexual apresentam maior risco de exposição a infecções sexualmente transmissíveis, inclusive ao HPV.

A pasta também chama atenção para a possibilidade de recorrência da violência, o que pode ampliar o risco de novas exposições ao vírus ao longo da vida.

Além dos impactos físicos, o documento aponta que a violência sexual na infância pode estar associada a problemas emocionais, transtornos mentais, dificuldades de aprendizagem e outras consequências que podem aumentar a vulnerabilidade das vítimas no futuro.

Com a nova recomendação, a vacinação contra o HPV passa a integrar de forma mais precoce as medidas de proteção à saúde de crianças vítimas de violência sexual.

 

 

Informações: Agência Brasil.

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