Investigação cumpre mandados de prisão e busca em diferentes cidades paulistas; ex-presidente da Câmara diz que está viajando e que vai se apresentar às autoridades

Câmara Municipal de SP / Agência Brasil
O ex-vereador Milton Leite (União Brasil) é um dos alvos da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A investigação apura suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas do transporte coletivo paulista e possíveis crimes de lavagem de dinheiro.
Contra Leite foi expedido um mandado de prisão temporária. Ele não foi localizado nos endereços procurados pelos agentes e afirmou, por meio de nota, que está viajando, que não se considera foragido e que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas. Também negou as acusações.
Ao todo, a operação prevê 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão, cumpridos em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Segundo a investigação, empresas do setor de transporte teriam sido usadas ou influenciadas por integrantes da facção. As apurações também mencionam suspeitas de corrupção de agentes públicos e eventual financiamento de campanhas políticas, pontos que ainda estão sob investigação e não representam condenações.
Nome já havia aparecido em investigação sobre a Transwolff
Milton Leite já havia sido citado em apurações relacionadas à Transwolff, empresa de ônibus investigada na Operação Fim da Linha, em 2024. A companhia foi alvo de suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao PCC e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo encerrado. A empresa nega vínculo com a facção.
Em fevereiro deste ano, um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar também mencionou possíveis relações entre Leite e policiais que atuavam na segurança de dirigentes da empresa. O ex-vereador negou conhecer um dos agentes citados e afirmou que ele nunca integrou sua escolta.
Uma decisão judicial citada pela imprensa atribui aos investigadores a suspeita de que Leite teria influência direta sobre empresas do setor. Ele rejeita essa versão e nega qualquer ligação com o PCC ou propriedade da Transwolff.
Sete mandatos na Câmara
Milton Leite, de 67 anos, foi vereador de São Paulo por sete mandatos consecutivos e deixou o Legislativo no fim de 2024, após 28 anos na Câmara Municipal. Também presidiu a Casa em diferentes períodos e chegou a assumir interinamente a Prefeitura de São Paulo.
Mesmo depois de deixar o mandato, permaneceu atuando politicamente. Em 2026, passou a comandar a Federação União Progressista no estado, formada por União Brasil e Progressistas.
A Prefeitura de São Paulo informou que colabora com as investigações e lembrou que havia determinado a intervenção e, posteriormente, o encerramento do contrato da Transwolff, além de abrir procedimentos administrativos sobre a empresa.



