Presidente defendeu investigação das denúncias, afirmou que ninguém está acima da lei e disse que o Supremo precisa preservar sua credibilidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16) que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, tem a responsabilidade de impedir que a crise interna da Corte interfira no processo eleitoral deste ano. A declaração foi dada em entrevista ao podcast Desce a Letra Show.
A fala ocorreu um dia depois de o STF suspender o julgamento que discute a possível abertura de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. A sessão foi interrompida após pedido de vista de Flávio Dino, sem uma decisão sobre o mérito do caso.
Lula afirmou que as denúncias precisam ser apuradas e que todos os envolvidos devem ter garantidos o direito de defesa e a presunção de inocência. Ao mesmo tempo, sustentou que eventuais irregularidades não podem deixar de ser investigadas, independentemente do cargo ocupado.
Segundo o presidente, “ninguém está acima da lei”, incluindo integrantes do Executivo e do próprio Supremo.
Lula critica sequência de denúncias
Durante a entrevista, Lula também criticou o que chamou de “denuncismo”, ao mencionar a sucessão de acusações e suspeitas divulgadas nos últimos dias sem uma conclusão definitiva das investigações.
Para ele, o cenário pode ampliar o desgaste institucional da Corte caso não haja esclarecimento dos fatos. Nesse contexto, atribuiu a Fachin a responsabilidade de conduzir o tribunal de maneira a evitar reflexos sobre a disputa eleitoral.
As eleições estão próximas: o primeiro turno será realizado em 4 de outubro, enquanto eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro, conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral.
Presidente elogia atuação de Moraes, mas defende apuração
Lula também voltou a elogiar Alexandre de Moraes pela atuação em episódios relacionados à defesa das instituições democráticas e afirmou considerar que o ministro prestou um serviço relevante ao país. Ao mesmo tempo, ressaltou que esse reconhecimento não impede que eventuais suspeitas sejam investigadas.
O presidente já havia defendido, na semana passada, medidas adotadas por Fachin para reorganizar a condução de processos sensíveis no Supremo.
A crise atual envolve discussões internas sobre investigações relacionadas ao Banco Master e sobre a forma como casos que citam integrantes da própria Corte devem ser analisados. A sessão desta terça terminou sem definição sobre a abertura de investigação contra Moraes e expôs divergências entre ministros sobre o rito a ser seguido.



