Decisão atende a pedido de Edson Fachin e torna públicos documentos com dados enviados pelo Coaf à Polícia Federal no caso Banco Master

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo de um processo que reúne informações sobre movimentações financeiras de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A medida foi tomada após solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin. O levantamento do sigilo também havia sido defendido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e solicitado por Alexandre de Moraes no domingo (13).
O processo contém três documentos. Em um deles, a Polícia Federal relata ter solicitado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) relatórios de inteligência financeira para rastrear possíveis movimentações de recursos relacionadas aos investigados no caso Master.
Segundo a PF, o Coaf informou que parte das informações envolvia pessoas com foro por prerrogativa de função e, por isso, dependeria de autorização do Supremo para o envio integral dos dados.
Não há, entre as peças tornadas públicas, registro de uma decisão específica de Mendonça autorizando esse acesso antes da inclusão do relatório do Coaf no processo.
Relatório registra pagamentos realizados por Vorcaro
Entre os documentos agora públicos está um relatório do Coaf com registros de movimentações atribuídas a Vorcaro.
O material aponta mais de R$ 57 milhões em pagamentos relacionados à Igreja Batista da Lagoinha, registrados entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. O cunhado do empresário, Fabiano Zettel, atuava como pastor na instituição.
A existência dos pagamentos no relatório não significa, por si só, comprovação de irregularidade por parte dos destinatários. O documento integra uma investigação destinada justamente a esclarecer a origem, o destino e o contexto das movimentações financeiras.
O relatório também registra aproximadamente R$ 22 mil destinados a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. Segundo as investigações citadas no caso, ele teria atuado para Vorcaro em atividades de monitoramento, coação, retirada de conteúdos e outras ações. Essas acusações ainda dependem de análise no decorrer das apurações.
A retirada do sigilo amplia o acesso aos documentos do caso Master em meio à discussão no STF sobre a divulgação integral das peças relacionadas às investigações envolvendo Vorcaro e agentes públicos.


