Documento revelado pela revista Piauí cita possibilidade de ministro do STF ser beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen; Toffoli já negou ter recebido valores do ex-banqueiro

Um relatório da Polícia Federal levanta a hipótese de que o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli possa ter sido o beneficiário final ou o proprietário de fato do fundo de investimento Arleen, citado em uma movimentação de R$ 35 milhões atribuída a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O documento, que permanece sob sigilo e está relacionado a uma investigação sob relatoria do ministro André Mendonça, foi revelado pela revista Piauí. As conclusões apresentadas pela PF são investigativas e não significam que as suspeitas tenham sido comprovadas judicialmente.
Segundo o relatório, os recursos teriam sido direcionados, por meio de uma operação envolvendo a holding Egide I, às Ilhas Virgens Britânicas, território conhecido por abrigar estruturas financeiras offshore.
A PF afirma ter identificado elementos que, analisados em conjunto, indicariam uma possível relação de Toffoli com o FIP Arleen e seus ativos. O ministro já negou anteriormente ter amizade com Vorcaro ou ter recebido dinheiro do empresário. Até a publicação da reportagem que revelou o relatório, não havia manifestação específica de Toffoli sobre eventual propriedade de recursos no exterior.
Fundo teve relação com resort ligado à família do ministro
Um dos pontos analisados pelos investigadores envolve o Tayayá Resort, no Paraná. O fundo Arleen teve participação no empreendimento, que também manteve vínculos societários com uma empresa da qual Toffoli é sócio.
A empresa Maridt, ligada ao ministro, possuía participação em empreendimentos da rede Tayayá e vendeu parte dessas cotas a fundos que tinham entre os acionistas Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Mensagens obtidas na investigação também mostram conversas entre Vorcaro e Zettel sobre aportes relacionados ao resort. Em maio de 2024, o então controlador do Banco Master questionou o cunhado sobre a situação de recursos destinados ao empreendimento.
Meses depois, novas mensagens indicaram preocupação de Vorcaro com a conclusão dos pagamentos. Em uma das conversas, Zettel afirmou que já haviam sido destinados R$ 20 milhões anteriormente e outros R$ 15 milhões posteriormente, totalizando os R$ 35 milhões mencionados na investigação.
Para a PF, o conjunto de operações financeiras, mudanças na estrutura do fundo e relações societárias passou a ser analisado para identificar quem efetivamente controlava ou se beneficiava dos ativos.
As apurações seguem sob análise judicial, e as suspeitas descritas no relatório ainda dependem de comprovação no curso da investigação.


