País segue abaixo da média da OCDE nas principais áreas de aprendizagem, apesar de ter reduzido parte da distância para as nações mais desenvolvidas desde 2006

Os resultados do Pisa 2025 revelam dois retratos diferentes da educação brasileira. No curto prazo, o desempenho dos estudantes de 15 anos continua praticamente estagnado e distante da média dos países mais ricos. Quando a comparação considera as últimas duas décadas, porém, o Brasil aparece entre as nações que mais avançaram nas três principais áreas avaliadas.
Na edição divulgada nesta terça-feira (8), os estudantes brasileiros alcançaram 408 pontos em Leitura, 409 em Ciências e 377 em Matemática. Esta última continua sendo a principal dificuldade do país.
O cenário praticamente não mudou em relação a 2015. Em Matemática, por exemplo, o resultado de 2025 é igual ao registrado há dez anos. Em Leitura, a pontuação passou de 407 para 408 no período. Ciências apresentou o movimento mais positivo, subindo de 401 para 409 pontos.
Mesmo com pequenas variações, o Brasil segue abaixo dos padrões de aprendizagem observados na OCDE.
Em Matemática, apenas 28% dos alunos brasileiros atingem pelo menos o nível 2 de proficiência, considerado o patamar básico para utilizar conhecimentos matemáticos em situações simples do cotidiano. Entre os países da OCDE, a proporção chega a 65%.
Isso significa que uma parcela expressiva dos adolescentes brasileiros ainda encontra dificuldades em tarefas como comparar preços, compreender relações entre valores e quantidades ou interpretar problemas matemáticos básicos.
Em Leitura, o desempenho é melhor, mas ainda distante do resultado internacional. Cerca de 49% dos estudantes do país alcançam o nível mínimo de proficiência, contra 69% na média da OCDE.
Já em Ciências, 48% dos brasileiros chegam a esse patamar básico.
Distância diminuiu em 20 anos
O cenário muda quando a comparação começa em 2006.
Segundo o Inep, o Brasil está entre os dez países que mais avançaram nas três áreas nesse intervalo. Na comparação entre os resultados de 2006 e 2025, aparece na sétima posição em crescimento de proficiência em Leitura e Matemática e na oitava em Ciências, considerando mais de 50 países com dados comparáveis.
A distância em relação à média da OCDE também caiu. Em Leitura, a diferença passou de 102 pontos em 2006 para 58 em 2025. Em Ciências, recuou de 113 para 77 pontos. Já em Matemática, caiu de 131 para 92.
Parte dessa aproximação ocorre porque o Brasil avançou ao longo do período, mas também porque vários países desenvolvidos registraram forte deterioração da aprendizagem nos últimos anos.
O Pisa 2025 identificou uma queda internacional especialmente acentuada em Leitura. A OCDE relaciona o fenômeno a diferentes fatores, entre eles mudanças nos hábitos dos estudantes, redução da leitura e dificuldades de concentração em um ambiente cada vez mais marcado pelo uso de telas e ferramentas digitais.
Brasil estreia avaliação de aprendizagem digital
A edição deste ano também trouxe uma nova área de análise: a resolução de problemas por meio de ferramentas computacionais, parte do domínio chamado “Aprendizagem no Mundo Digital”.
O Brasil marcou 406 pontos nessa avaliação. A prova observa, entre outras habilidades, como o estudante utiliza recursos computacionais para testar alternativas e solucionar problemas.
Os questionários aplicados junto ao exame mostraram ainda que 81% dos estudantes brasileiros frequentam escolas com algum tipo de restrição ao uso de celulares. Na média da OCDE, o percentual é de 49%.
Ao todo, 30.140 estudantes brasileiros participaram do Pisa 2025. No mundo, a avaliação envolveu cerca de 760 mil adolescentes de 91 países e economias. As provas foram aplicadas no Brasil entre abril e maio do ano passado.



