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Panorama

Polícia investiga curso de drones oferecido por traficantes no Rio

Imagens feitas pela polícia mostram fila para curso de operação de drones dado por traficantes no Complexo da Penha — Foto: Reprodução/TV Globo

 

Imagens obtidas pela polícia mostram uma fila de pessoas para participar de um curso de operação de drones que teria sido oferecido por traficantes no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Segundo as investigações, a capacitação faz parte do avanço do uso desses equipamentos pelo crime organizado.

Os drones passaram a ser utilizados não apenas para monitorar territórios e acompanhar a movimentação policial, mas também em ataques contra grupos rivais. A Polícia Civil investiga atualmente 18 ocorrências de bombas lançadas por drones no estado.

Drones usados em ataques

Na semana passada, criminosos utilizaram um drone para lançar uma granada contra um trailer na comunidade do Canal, em Vargem Grande. O explosivo atingiu o local, mas ninguém ficou ferido.

Segundo a Polícia Militar, traficantes teriam alugado um apartamento na cobertura de um prédio no Recreio dos Bandeirantes para realizar a operação. Dois homens suspeitos de participação no ataque foram presos. Com eles, os policiais apreenderam granadas de fabricação caseira, dinheiro e o drone utilizado na ação.

O uso desses equipamentos também preocupa autoridades da aviação. Drones já foram identificados sobrevoando regiões próximas às rotas utilizadas por helicópteros e por aeronaves que chegam e saem do Aeroporto de Jacarepaguá. Uma colisão poderia provocar danos graves e comprometer o controle de uma aeronave.

Apesar de serem vendidos legalmente, os drones estão sujeitos a regras para utilização do espaço aéreo. Há restrições para voos próximos a aeroportos e helipontos, além de exigências de autorização para determinadas operações. As investigações apontam que criminosos ignoram essas normas.

Estratégia para dificultar ataques

No Complexo do Alemão, também na Zona Norte, imagens aéreas mostram uma mudança na estrutura de ruas e vielas. Segundo a Polícia Civil, algumas áreas passaram a receber coberturas de alvenaria que dificultam a visualização por drones.

O levantamento foi realizado pela inteligência da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), que comparou imagens de satélite de novembro de 2025 com registros aéreos de fevereiro de 2026.

Em um intervalo de 84 dias, alguns trechos que antes eram visíveis nas imagens aéreas passaram a ficar escondidos por telhados e outras estruturas. Em um dos locais, uma área que funcionava como estacionamento recebeu uma cobertura de alvenaria. Em outro ponto, uma laje foi modificada.

A polícia suspeita que parte dessas estruturas tenha sido construída para dificultar ataques com explosivos lançados por drones de facções rivais. Ao mesmo tempo, as coberturas dificultam o monitoramento policial.

Crescimento do uso de drones pelo crime

Segundo a Polícia Civil, os equipamentos ganharam espaço na atuação do crime organizado por oferecerem uma vantagem estratégica: permitem observar territórios à distância e acompanhar a movimentação de policiais e grupos rivais.

O número de denúncias também aumentou nos últimos anos. O primeiro registro de drone utilizado com uma granada ocorreu em 2023. Em 2024, foram quatro denúncias. Já em 2025, o Disque-Denúncia registrou 73 denúncias relacionadas a traficantes e outras 14 envolvendo milicianos.

A polícia suspeita, porém, que o número de ocorrências envolvendo drones e explosivos seja ainda maior.

As imagens do curso na Penha reforçam uma preocupação das autoridades: além de utilizar drones em suas operações, grupos criminosos estariam ensinando outras pessoas a operar os equipamentos, ampliando o número de integrantes capacitados para esse tipo de atividade.

 

 

 

Informações: G1.

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