
Um menino de 6 anos perdeu a visão do olho esquerdo depois de ser atingido por estilhaços durante uma ação da Polícia Civil na região da Mangueira, na Zona Norte do Rio, nesta quarta-feira (12). A criança estava dentro de casa quando foi ferida e permanece internada no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o menino passou por uma cirurgia e apresenta quadro estável. A perda da visão do olho esquerdo foi confirmada após o atendimento médico.
Polícia afirma que agentes não atiraram
A ação foi realizada por policiais da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) em um ferro-velho clandestino localizado na Rua São Francisco Xavier. O estabelecimento era investigado por suspeita de receber e comercializar materiais furtados, principalmente cabos e outros produtos metálicos.
De acordo com a Polícia Civil, durante a fiscalização os agentes foram atacados por criminosos que estavam escondidos em uma área elevada da comunidade. A corporação afirma que não houve revide por parte dos policiais.
A Polícia Civil informou que irá investigar as circunstâncias em que o menino foi atingido. Em nota, a instituição também afirmou que, segundo a corporação, a situação de risco para moradores ocorre em razão dos criminosos que atacam policiais e promovem ações violentas em áreas residenciais.
Moradores fizeram protesto
Após o ferimento da criança, moradores da Mangueira realizaram um protesto na Rua São Francisco Xavier. Inicialmente, circulou entre os moradores a informação de que o menino teria sido atingido por um disparo, mas posteriormente a ocorrência foi tratada como ferimento provocado por estilhaços.

Durante a manifestação, objetos foram incendiados dentro de lixeiras e utilizados como barricadas. Pneus também foram colocados na via para bloquear a passagem.
Durante a operação, a administradora do ferro-velho clandestino foi presa por receptação qualificada. Os policiais apreenderam diversos quilos de materiais metálicos, além de um computador, uma caixa registradora e dinheiro utilizado na compra dos produtos.
A investigação apontou ainda que havia queima de cabos no estabelecimento. A prática seria utilizada para retirar a cobertura dos fios e dificultar a identificação da origem do material.
Segundo a Polícia Civil, o local vinha sendo investigado há meses por suspeita de funcionar como ponto de receptação de materiais furtados, principalmente de bairros como Tijuca, Grajaú e Vila Isabel. O ferro-velho já havia sido alvo de outras ações. Em 3 de julho, cinco pessoas foram presas no estabelecimento por receptação qualificada.
A operação desta quarta-feira faz parte da Operação Caminhos do Cobre, que busca combater o furto e a comercialização ilegal de cabos e materiais metálicos, investigando diferentes etapas da cadeia criminosa.
Desde setembro de 2024, segundo a Polícia Civil, foram realizadas mais de 580 fiscalizações, que resultaram em cerca de 270 prisões de responsáveis por estabelecimentos. No período, aproximadamente 300 toneladas de fios de cobre e materiais metálicos foram apreendidas. A corporação também informou ter solicitado o bloqueio de cerca de R$ 240 milhões e aplicado aproximadamente R$ 75 milhões em multas.



