
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estuda criar um “selo de acerto” para pesquisas eleitorais realizadas às vésperas da votação. A proposta, apresentada pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, prevê reconhecer os institutos cujos levantamentos mais se aproximarem do resultado das urnas após o segundo turno.
Segundo o ministro, a iniciativa busca fortalecer a credibilidade das pesquisas eleitorais e estimular maior precisão nos levantamentos, premiando apenas sondagens de boca de urna ou realizadas nos sete dias que antecedem a eleição.
A medida, no entanto, gerou forte reação de entidades que representam o setor. Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) e a Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel) afirmaram que a proposta parte de uma premissa equivocada ao exigir que pesquisas acertem o resultado final das eleições.
As entidades ressaltam que levantamentos eleitorais registram a intenção de voto no momento da coleta e que fatores como voto útil, abstenção e mudanças de última hora podem alterar o cenário até o dia da votação. Para elas, um selo baseado no resultado das urnas pode incentivar institutos a ajustar seus números à média do mercado para aumentar as chances de receber a certificação, comprometendo a independência metodológica.
Apesar das críticas, a proposta recebeu apoio de parte do setor. O presidente da Atlas Intel, Andrei Roman, declarou apoio à iniciativa e afirmou estar disposto a colaborar com a discussão sobre critérios metodológicos. Já Murilo Hidalgo, diretor-presidente da Paraná Pesquisas, avaliou que o selo deve ser encarado como uma forma de reconhecimento, e não de punição, podendo inclusive dar maior visibilidade a institutos menores.
O debate ocorre em meio à recente decisão de Kassio Nunes Marques de suspender a divulgação de uma pesquisa da Atlas Intel, após questionamentos apresentados pelo PL sobre o conteúdo do levantamento. A decisão ainda será analisada pelo plenário do TSE.



