Panorama

Pai de deputado é preso em operação e também responderá por posse de munição de uso restrito

Mauricio Knoploch, preso em operação no Rio — Foto: Reprodução
Mauricio Knoploch, preso em operação no Rio — Foto: Reprodução

 

Preso durante a Operação Ouroboros, deflagrada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro para investigar um suposto esquema de corrupção no Instituto Rio Metrópole (IRM), Mauricio Silva Knoploch dos Santos também foi autuado por posse ilegal de munição de uso restrito.

Durante o cumprimento do mandado de prisão em sua residência, no Anil, Zona Oeste do Rio, agentes encontraram oito munições de pistola calibre 9 milímetros. Segundo o registro da ocorrência, o material estava guardado no escritório da casa. Aos policiais, Mauricio afirmou que as munições eram de sua propriedade e que permaneciam no local havia bastante tempo.

Além de integrar a investigação sobre supostos desvios de recursos públicos, ele responderá pelo crime de posse ilegal de munição de uso restrito, cuja pena pode chegar a seis anos de prisão.

Investigação apura contratos de mais de R$ 86 milhões

Mauricio Knoploch ocupa o cargo de diretor de Planejamento e Projetos do Instituto Rio Metrópole, autarquia vinculada à Secretaria de Estado de Governo e responsável pelo planejamento do desenvolvimento urbano da Região Metropolitana.

Segundo o Ministério Público, a operação apura um esquema de corrupção envolvendo contratos que ultrapassam R$ 86 milhões firmados pelo instituto.

As investigações apontam que, a partir de 2022, licitações teriam sido direcionadas para beneficiar empresas específicas. Entre elas estão a Engeconsult Consultores Técnicos e a R Peotta Engenharia e Consultoria.

Ainda conforme o MP, após receberem recursos do IRM, as empresas teriam firmado contratos considerados fictícios com a Brazilian Institute of Organic (Instituto Bio), mecanismo que seria utilizado para desviar parte dos valores pagos pela administração pública.

Saques em dinheiro vivo

Os investigadores também identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas.

De acordo com a apuração, recursos depositados na conta do Instituto Bio eram posteriormente sacados em espécie. Um dos casos citados envolve Caroline Soares Barros, apontada na investigação como responsável por retirar grandes quantias em dinheiro.

Segundo o Ministério Público, ela realizou 13 saques que, juntos, somaram mais de R$ 3 milhões. Em uma das ocasiões, foi abordada ao sacar R$ 500 mil em uma agência bancária de Teresópolis, acompanhada por funcionários de uma empresa de segurança.

Outro ponto destacado pela investigação são os sucessivos aditivos contratuais. Apenas em 2023, um dos contratos da Engeconsult recebeu acréscimo de aproximadamente R$ 58 milhões.

Defesas e posicionamentos

Até a publicação desta reportagem, a defesa de Mauricio Knoploch não havia se manifestado.

O deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), filho do investigado, afirmou ter recebido a notícia da operação com surpresa. Ele declarou que não participou da nomeação do pai para o Instituto Rio Metrópole, elogiou sua trajetória profissional e disse esperar que todos os fatos sejam esclarecidos.

Em nota, a Engeconsult negou qualquer irregularidade, informou desconhecer o conteúdo da investigação e afirmou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

O Governo do Estado informou que ainda não havia sido oficialmente notificado sobre as medidas judiciais relacionadas ao Instituto Rio Metrópole. Também afirmou que as suspeitas surgiram a partir de auditorias realizadas pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) e pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), reforçando o compromisso com a transparência e o combate à corrupção.

 

 

 

Informações: G1.

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