Panorama

Eliminação precoce expõe limites de um Brasil que nunca convenceu na Copa

 

Brasil é eliminado da Copa do Mundo nas oitavas de final pela Noruega. — Foto: Getty Images via AFP

 

O sonho do hexacampeonato terminou antes do esperado. A derrota por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final da Copa do Mundo, confirmou o que a campanha brasileira já indicava desde a fase de grupos: a Seleção nunca conseguiu transmitir segurança suficiente para ser apontada como uma das favoritas ao título.

A eliminação certamente abrirá espaço para a procura de culpados. É um roteiro conhecido no futebol brasileiro. Técnicos, jogadores e dirigentes costumam ser responsabilizados sempre que uma Copa termina antes do planejado. Desta vez, porém, reduzir o fracasso a um único nome seria ignorar problemas que acompanham a Seleção há anos.

Carlo Ancelotti assumiu o comando em um cenário turbulento. Herdou uma equipe marcada por mudanças constantes, resultados decepcionantes e um ambiente de instabilidade criado muito antes de sua chegada. Em pouco mais de um ano de trabalho, conseguiu dar organização ao time e recolocar o Brasil entre as seleções competitivas, mas isso não foi suficiente para superar adversários mais consistentes.

Contra a Noruega, o Brasil teve oportunidades para construir outro roteiro. Bruno Guimarães desperdiçou um pênalti ainda no primeiro tempo e, na etapa final, Endrick perdeu uma chance clara diante do goleiro. Em uma partida equilibrada, erros como esses costumam cobrar um preço alto , e cobraram.

Mais do que as chances perdidas, chamou atenção a dificuldade da equipe para controlar o jogo. A Seleção passou boa parte da partida sem conseguir impor seu ritmo, sofreu para recuperar a posse de bola e encontrou dificuldades para neutralizar a força ofensiva dos noruegueses. Quando Haaland apareceu, fez a diferença que se espera de um dos principais atacantes do futebol mundial.

Ancelotti também terá sua parcela de responsabilidade discutida. As mudanças promovidas durante o segundo tempo não surtiram o efeito esperado, e a entrada de Neymar, ainda longe do melhor condicionamento físico, não conseguiu alterar o panorama da partida. Enquanto isso, a Noruega aproveitou melhor os espaços e mostrou eficiência para definir a classificação.

Apesar disso, seria injusto atribuir exclusivamente ao treinador o resultado. A eliminação é consequência de um ciclo marcado por decisões administrativas questionáveis, troca frequente de comandos técnicos e um planejamento que nunca ofereceu estabilidade à Seleção.

O fim da campanha também representa o encerramento de uma era. Aos 34 anos, Neymar se despede das Copas do Mundo como o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira, mas sem conquistar o título que perseguia desde 2014. Sua geração deixa o torneio com campanhas competitivas, porém distante do objetivo maior.

Agora, mais do que encontrar um responsável pela derrota, o futebol brasileiro terá o desafio de repensar seu projeto para que a próxima Copa comece muito antes da estreia em campo.

 

 

Texto: Nicolly Verly

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