Panorama

Greve dos rodoviários é suspensa até segunda-feira após mediação do TRT no Rio

Terminal de ônibus na Taquara — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro foi suspensa temporariamente até a próxima segunda-feira (6), após decisão tomada em assembleia realizada nesta quarta-feira (1º) pelo Sindicato dos Rodoviários do Rio (Sintrucad-Rio). Apesar da interrupção da paralisação, a categoria permanece em estado de greve, o que significa que um novo movimento poderá ser iniciado caso as negociações salariais não avancem nos próximos dias.

A decisão atende a um pedido do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ), que propôs uma trégua para permitir a retomada das negociações entre o sindicato e o Rio Ônibus, entidade que representa as empresas do setor. Uma nova audiência de conciliação está marcada para segunda-feira, quando será apresentada uma nova proposta.

O principal impasse continua sendo a pauta salarial. Os rodoviários reivindicam reajuste de 17%, piso salarial de R$ 5 mil para motoristas do BRT, R$ 4 mil para condutores das demais linhas e aumento no valor do vale-alimentação. Já o Rio Ônibus mantém a oferta de reajuste de 4,39%, considerada insuficiente pela categoria.

Segundo o presidente do Sintrucad-Rio, Sebastião José, os trabalhadores seguem mobilizados e insatisfeitos com os salários e as condições de trabalho. Ele afirmou que a suspensão da greve representa apenas uma oportunidade para que as negociações avancem, mas alertou que a paralisação poderá ser retomada caso não haja uma proposta considerada satisfatória.

Durante os três dias de greve, passageiros enfrentaram longas filas, atrasos e dificuldades para embarcar em diversas regiões da cidade. No Terminal de Deodoro e na Taquara, usuários relataram esperas superiores a 40 minutos e recorreram a outras linhas ou ao transporte alternativo, que operou com veículos lotados.

A Justiça determinou que pelo menos 80% da frota permaneça em circulação durante a paralisação. Entretanto, o Rio Ônibus informou que apenas cerca de 50% dos coletivos estavam em operação na manhã desta quarta-feira. Trens, metrô e BRT reforçaram suas operações para atender ao aumento da demanda de passageiros.

Reivindicações da categoria

Os rodoviários reivindicam:

Reajuste salarial de 17%;

Piso de R$ 5 mil para motoristas do BRT e R$ 4 mil para os demais motoristas;

Vale-alimentação de R$ 1 mil;

Plano de saúde;

Mudanças na escala de trabalho, com jornada de 7h30.

As empresas ofereceram reajuste de 4,39% e, até o momento, não apresentaram uma nova proposta.

Desde o início da paralisação, na segunda-feira (29), passageiros têm enfrentado longos períodos de espera, superlotação e redução significativa da oferta de ônibus em diferentes regiões da capital fluminense. Além dos transtornos, também foram registrados casos de vandalismo e depredação de coletivos durante os protestos.

 

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