
Leandro Marques / Divulgação
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram, nesta quinta-feira (25), a segunda fase da Operação Disclosure, que apura um esquema de fraudes contábeis envolvendo as Lojas Americanas. Segundo os investigadores, o prejuízo estimado chega a R$ 54 bilhões.
Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o montante apontado nas apurações.
De acordo com a investigação, os alvos da operação teriam conhecimento de irregularidades registradas ao longo de vários anos nas demonstrações financeiras da empresa. Entre as práticas analisadas está o chamado risco sacado, mecanismo utilizado para antecipação de pagamentos a fornecedores por meio de operações bancárias.
Segundo a PF, as dívidas geradas nessas operações não teriam sido registradas corretamente nos balanços da companhia, criando uma imagem financeira diferente da realidade e contribuindo para mascarar dificuldades econômicas enfrentadas pela empresa.
Os investigadores também apontam possíveis irregularidades relacionadas às chamadas Verbas de Propaganda Cooperada (VPCs), incentivos comerciais comuns no varejo. A suspeita é de que parte desses valores tenha sido contabilizada sem respaldo econômico efetivo.
As apurações indicam, em tese, a prática dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.
A primeira fase da Operação Disclosure foi realizada em junho de 2024 e teve como foco a atuação de ex-executivos da companhia. Na ocasião, as investigações estimavam um prejuízo de R$ 25,3 bilhões. Entre os alvos estava o ex-diretor-presidente das Americanas, Miguel Gutierrez, que chegou a ser preso na Espanha, mas teve a medida revogada pela Justiça no dia seguinte.
As investigações seguem em andamento para identificar todos os envolvidos e aprofundar a análise das movimentações financeiras ligadas ao caso.



