Panorama

Operação da Polícia Civil mira esquema de extorsão e lavagem de dinheiro ligado ao TCP no Complexo do São Carlos

Material apreendido durante a operação no Complexo do São Carlos
Érica Martin / Agência O Dia

 

Uma operação da Polícia Civil realizada na manhã desta sexta-feira (12) tem como alvo uma organização criminosa ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP) que atua no Complexo do São Carlos, na região central do Rio de Janeiro. A ação busca desarticular um esquema que envolve lavagem de dinheiro, extorsão de comerciantes e moradores, expulsão de famílias de suas residências e negociação ilegal de armas de fogo.

Coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), a operação cumpre 43 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Além das diligências, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 60 milhões em bens e valores vinculados ao grupo investigado, incluindo imóveis, veículos de luxo e outros patrimônios supostamente adquiridos com recursos ilícitos.

De acordo com as investigações, a atuação da organização ia além do tráfico de drogas e do domínio territorial das comunidades. Os criminosos teriam implantado um sistema de intimidação e exploração de moradores e comerciantes, utilizando ameaças e cobranças ilegais para obter vantagens financeiras.

Segundo a Polícia Civil, diversas famílias foram obrigadas a deixar suas casas após sofrerem pressão da facção. Em alguns casos, locatários eram coagidos a devolver imóveis aos proprietários, que posteriormente acabavam vendendo ou alugando os bens por valores abaixo do mercado para pessoas ligadas ao grupo criminoso.

O delegado Jefferson Ferreira, titular da Draco, destacou que a corporação busca identificar novas vítimas para fortalecer as investigações. Segundo ele, moradores que tenham sofrido extorsões ou sido forçados a deixar seus imóveis podem procurar a especializada para prestar depoimento e contribuir com o inquérito.

As apurações também apontam a existência de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. Empresas de fachada eram utilizadas para ocultar e movimentar recursos provenientes de atividades criminosas. Entre os estabelecimentos investigados estão duas lojas de motocicletas que, de acordo com a polícia, realizaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com suas atividades comerciais.

Ainda conforme a investigação, integrantes da facção também participavam da negociação, intermediação e aquisição clandestina de armamentos. O esquema teria ligação com um criminoso conhecido como “Parazão”, apontado como responsável por atuar na obtenção de armas e com conexões no estado de Minas Gerais.

Ao longo da operação, agentes apreenderam veículos roubados, drogas, dinheiro em espécie, aparelhos celulares e anotações relacionadas à compra e venda de materiais ilícitos. Ao todo, 21 pessoas foram identificadas como alvos da investigação.

Embora a Polícia Civil tenha solicitado a prisão dos investigados, as medidas cautelares ainda não foram autorizadas pela Justiça. As diligências seguem em andamento para aprofundar o rastreamento financeiro do grupo e identificar outros envolvidos no esquema criminoso.

A operação conta com o apoio de equipes dos Departamentos-Gerais de Polícia Especializada (DGPE), de Polícia da Capital (DGPC), de Polícia da Baixada (DGPB) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

 

 

 

 

 

 

Fonte: Odia

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