Panorama

Justiça afasta delegado de caso que investiga morte de empresário durante abordagem policial no Rio

De camisa branca, o delegado Robinson Gomes Pereira durante transferência de presa — Foto: Henrique Coelho/g1 Rio

 

A investigação sobre a morte do empresário Daniel Patrício Santos de Oliveira ganhou um novo desdobramento. A Justiça do Rio de Janeiro determinou o afastamento do delegado Robinson Gomes Pereira, da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), por entender que houve comprometimento da imparcialidade na condução do caso.

A decisão foi assinada pela juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis, da 1ª Vara Criminal da Capital, que apontou divergências entre os rumos adotados pelo delegado e as conclusões já apresentadas pela Corregedoria da Polícia Militar e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Ambos os órgãos sustentam que os disparos que mataram o empresário partiram de policiais militares.

Daniel Patrício foi morto em abril deste ano, durante uma abordagem na Pavuna, Zona Norte do Rio. Imagens captadas por câmeras corporais mostraram que agentes da PM acompanharam os deslocamentos da vítima antes da ação que terminou com mais de 20 tiros disparados contra o veículo onde ele estava.

Dois policiais do 41º BPM (Irajá) se tornaram réus por homicídio qualificado. Segundo a denúncia, os militares Rafael Assunção Marinho e Rodrigo da Silva Alves teriam agido por motivo torpe, dificultando a defesa da vítima e colocando outras pessoas em risco durante a ocorrência.

Na decisão, a magistrada também questiona diligências determinadas após o início da ação penal, incluindo uma reprodução simulada dos fatos que estava prevista para acontecer ainda neste mês. O procedimento acabou suspenso por ordem judicial.

Além do afastamento do delegado, a Justiça determinou o envio do caso para análise da Corregedoria da Polícia Civil, que deverá apurar possíveis irregularidades na condução da investigação. Também foi ordenada a apreensão do inquérito e a retirada de atos investigativos realizados sem autorização judicial após o oferecimento da denúncia.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que todas as etapas da investigação foram conduzidas com base em critérios técnicos e dentro da legalidade. A corporação informou ainda que respeita a decisão da Justiça e continuará colaborando para o esclarecimento dos fatos.

O caso segue em tramitação na Justiça e continua sendo acompanhado pelo Ministério Público e pelos órgãos de controle responsáveis pela fiscalização da atividade policial.

 

 

 

 

 

Fonte G1.

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