
A Polícia Civil concluiu que o padeiro Rafael Oliveira Braga foi assassinado por integrantes da milícia que atua em Paciência, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, após se recusar a participar de um esquema de extorsão que impunha a compra de farinha de fornecedores ligados ao grupo criminoso e o aumento do preço do pão francês comercializado na região.
De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), os criminosos controlavam a venda de insumos para padarias locais e determinavam valores que deveriam ser praticados pelos comerciantes. Segundo depoimentos colhidos durante o inquérito, a milícia exigia que o preço unitário do pão francês passasse de R$ 0,30 para R$ 0,60, além de obrigar os estabelecimentos a adquirir farinha por meio de fornecedores indicados pela organização.
A recusa de Rafael em aderir ao esquema teria motivado sua execução. Para os investigadores, o crime teve como objetivo manter o controle econômico exercido pela milícia na região e servir de exemplo para outros comerciantes.
O Ministério Público denunciou dois suspeitos pela participação no homicídio. João Lucas Vieira Carreira de Jesus, conhecido como “Jotinha”, é apontado como o executor do crime. Já Paulo Roberto de Carvalho Martins, conhecido como “PL” ou “Jorjão”, foi identificado como uma das principais lideranças financeiras da organização criminosa que atua em Paciência.
As investigações também apontaram que Erlan Oliveira de Araújo, conhecido como “Orelha”, teria sido o mandante do assassinato. No entanto, ele não foi denunciado porque morreu durante o andamento das apurações, ainda em 2025.
Segundo a Polícia Civil, “Jotinha” era responsável por executar ordens da cúpula da milícia contra pessoas que resistiam às imposições do grupo criminoso. O objetivo seria garantir o domínio territorial e econômico exercido pela organização sobre comerciantes e moradores da região.
Relatórios encaminhados ao Disque-Denúncia desde 2024 já apontavam a existência de um esquema de coerção contra comerciantes da Zona Oeste e também de municípios da Baixada Fluminense. As denúncias relatavam a obrigatoriedade da compra de produtos e insumos de empresas supostamente ligadas à milícia, além da cobrança de taxas ilegais e ameaças contra quem se recusasse a obedecer às determinações.
Imagens analisadas pela Polícia Civil ajudaram a esclarecer a dinâmica do crime. As gravações mostram “Jotinha” na garupa de uma motocicleta vermelha momentos antes da execução. Segundo a investigação, os criminosos passaram pela região onde Rafael trabalhava e efetuaram os disparos por volta das 6h da manhã, fugindo logo em seguida.
O caso reforça o alerta das autoridades sobre a atuação de grupos criminosos que, além de controlar territórios, buscam monopolizar setores da economia local, impondo regras e preços a comerciantes e consumidores por meio da violência e da intimidação.


