
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo instituto AtlasIntel que apontava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão, concedida em caráter liminar, atende a um pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL) e ainda será analisada pelo plenário da Corte.
O levantamento, registrado sob o número BR-06939/2026, foi divulgado em 19 de maio e indicava uma redução de seis pontos percentuais na intenção de voto de Flávio Bolsonaro. A pesquisa foi publicada após a repercussão de um áudio atribuído ao senador envolvendo um pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção do filme “Dark Horse”.
Ao fundamentar a decisão, Nunes Marques apontou a existência de indícios de possível indução dos entrevistados por meio da formulação das perguntas apresentadas durante o levantamento.
O ministro também citou uma entrevista concedida pelo CEO da AtlasIntel à CNN, na qual o executivo avaliou que o conteúdo relacionado ao áudio poderia causar desgaste à imagem do pré-candidato e comprometer sua viabilidade eleitoral.
Segundo o magistrado, as declarações levantam dúvidas sobre a imparcialidade do levantamento e sugerem um possível viés político na abordagem utilizada pelo instituto.
“O CEO da AtlasIntel reconheceu o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados e externou juízo valorativo acerca do potencial de desgaste eleitoral do pré-candidato mencionado na representação”, destacou o ministro na decisão.
Como a pesquisa já havia sido divulgada anteriormente, a medida não determina sua retirada retroativa dos meios de comunicação. No entanto, o despacho proíbe novas divulgações, impulsionamentos, republicações ou manutenção do conteúdo nos canais oficiais da empresa até uma decisão definitiva do Tribunal Superior Eleitoral.
A decisão tem caráter provisório e poderá ser confirmada, modificada ou revogada após análise do plenário da Corte. Até o momento, o instituto AtlasIntel não havia se manifestado publicamente sobre a determinação judicial.
O caso reacende o debate sobre a metodologia utilizada em pesquisas eleitorais e os critérios adotados pela Justiça Eleitoral para garantir a transparência e a imparcialidade dos levantamentos divulgados durante o período pré-eleitoral.


