
Áudios e mensagens obtidos pela Polícia Federal durante a Operação Unha e Carne apontam que o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) atuava diretamente na distribuição de cargos estratégicos da Secretaria Estadual de Educação e negociava vagas para pessoas ligadas ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como “Júnior do Beco”.
As conversas fazem parte do inquérito que levou à prisão preventiva do parlamentar, decretada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes no fim de abril. Thiago Rangel está preso há 13 dias e é investigado por suspeita de chefiar um esquema de fraudes em contratos de obras e serviços da rede estadual de ensino, além de lavagem de dinheiro envolvendo empresas e postos de combustíveis.
Em um dos áudios extraídos do celular da então diretora regional de Educação do Noroeste Fluminense, Júcia Gomes de Souza Figueiredo, também presa na operação, o deputado afirma:
“Tudo que acontecer dentro da regional eu quero saber. O deputado sou eu. A indicação é minha e quem manda sou eu.”
Segundo a Polícia Federal, a fala demonstra influência direta de Thiago Rangel sobre a estrutura da Secretaria de Educação. Na época, Júcia comandava a regional responsável por 57 escolas estaduais em 13 municípios do Norte e Noroeste Fluminense.
A investigação também identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas. Em outubro de 2024, Júcia encaminhou ao deputado um comprovante de transferência de R$ 100 mil da empresa VAR Construtora para outra empresa investigada por suposta movimentação financeira do grupo.
Outro trecho do inquérito aponta uma possível relação entre o parlamentar e o traficante “Júnior do Beco”. Segundo a PF, Thiago teria reservado vagas de auxiliar de serviços gerais na Educação para indicações feitas pelo criminoso.
Em uma das mensagens analisadas, o deputado teria informado possuir oito vagas disponíveis e orientado aliados sobre a organização dos nomes indicados pelo traficante.
A Polícia Federal afirma que os diálogos apontam uso político da estrutura da Educação, loteamento de cargos públicos e aproximação entre o parlamentar e pessoas ligadas ao tráfico de drogas.
A investigação também revelou uma planilha encontrada no computador de Rui Bulhões, ex-chefe de gabinete do então presidente da Alerj Rodrigo Bacellar. O documento listava órgãos públicos sob influência de deputados estaduais.
Segundo a PF, Thiago Rangel aparecia associado a estruturas como Detran e IPEM em Campos dos Goytacazes, além de cargos na Alerj e em órgãos estaduais.
A defesa do deputado afirmou que as mensagens foram retiradas de contexto e negou envolvimento do parlamentar em organização criminosa ou ligação ilícita com integrantes de facções.
A Secretaria Estadual de Educação informou que realiza uma revisão administrativa dos contratos de manutenção da rede estadual. Já a Alerj confirmou que Thiago Rangel está afastado por determinação do Supremo Tribunal Federal.



