
O filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro, voltou ao centro das atenções após novas revelações envolvendo o financiamento do projeto e denúncias feitas por integrantes da equipe de gravação.
O banqueiro Daniel Vorcaro, preso e investigado por suspeita de participação em um esquema bilionário de fraudes financeiras — teria destinado recursos para a produção do longa após um pedido feito pelo senador Flávio Bolsonaro. Conversas divulgadas pelo portal The Intercept apontam que o valor negociado teria chegado a R$ 61 milhões, embora ainda não exista confirmação sobre quanto foi efetivamente utilizado no projeto.
A produção também passou a ser alvo de denúncias relacionadas às condições de trabalho nos bastidores. Em dezembro do ano passado, o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo (Sated-SP) esteve em um dos sets de gravação após receber reclamações de figurantes e profissionais envolvidos no filme.
De acordo com relatos divulgados pela coluna Capital, participantes afirmaram que enfrentaram jornadas consideradas excessivas, atrasos nos pagamentos, restrições para uso de banheiro e alimentação inadequada durante as filmagens. Alguns figurantes relataram ainda proibição rígida do uso de celulares e situações classificadas como constrangedoras nos bastidores.
Uma das pessoas ouvidas afirmou que recebeu cerca de R$ 165 por um dia inteiro de gravação que teria começado antes das 7h da manhã e terminado apenas à noite.
O longa também gerou repercussão internacional após utilizar no trailer a música “Survivor”, do grupo Destiny’s Child, sem autorização oficial. A equipe ligada à cantora Beyoncé informou que medidas judiciais foram adotadas para retirada do material do ar.
Mesmo cercado de controvérsias, “Dark Horse” segue em produção e tem estreia prevista para setembro de 2026. O filme será dirigido pelo cineasta norte-americano Cyrus Nowrasteh e terá o ator Jim Caviezel, conhecido mundialmente por interpretar Jesus em “A Paixão de Cristo”, no papel de Jair Bolsonaro.
A trama é inspirada no texto “Capitão do Povo”, escrito pelo deputado federal Mario Frias, e aborda desde a trajetória política do ex-presidente até o atentado sofrido durante a campanha eleitoral de 2018.


