
O Botafogo voltou ao centro de uma disputa financeira internacional após o Olympique Lyonnais divulgar, nesta terça-feira (12), um relatório em que afirma ter cerca de 126 milhões de euros, aproximadamente R$ 727 milhões na cotação atual — a receber do clube carioca. O documento aponta ainda que a equipe francesa já considera uma possível perda significativa desse valor diante do risco de inadimplência.
A revelação amplia a crise envolvendo a rede multiclubes Eagle Football, comandada por John Textor, responsável pelas SAFs do Botafogo, Lyon e outros clubes ao redor do mundo. Segundo o relatório financeiro apresentado pelo clube francês, houve uma depreciação de 86 milhões de euros, equivalente a cerca de R$ 496 milhões, relacionada justamente aos créditos que o Lyon afirma ter a receber do Alvinegro.
O documento destaca que a preocupação aumentou após a identificação de possíveis riscos financeiros ligados às operações entre os clubes da rede de Textor. O Lyon afirma que parte das garantias financeiras teria sido concedida em nome do clube francês sem conhecimento prévio da diretoria da equipe europeia.
Enquanto o Lyon cobra R$ 727 milhões do Botafogo, o clube carioca também move uma ofensiva judicial. Em abril, o Alvinegro entrou na Justiça do Rio de Janeiro cobrando aproximadamente R$ 745 milhões do clube francês, intensificando ainda mais o embate entre as partes.
No relatório, o Lyon afirma ter descoberto que garantias foram emitidas em nome do clube francês e da empresa OL SASU para cobrir obrigações financeiras do Botafogo e também do Molenbeek, da Bélgica. Uma das operações citadas teria relação com empréstimos ligados a negociações de jogadores.
Segundo o clube francês, uma dessas garantias foi assinada em abril de 2025 e envolveria um empréstimo de até 30 milhões de euros em favor do Botafogo. O Lyon alega que o documento previa cobertura de possíveis inadimplências do clube brasileiro, podendo gerar cobrança de até 14,8 milhões de euros contra a equipe francesa.
Outro ponto destacado no relatório é que algumas operações financeiras teriam como base créditos relacionados a futuras transferências de atletas entre Botafogo e Lyon que, segundo os franceses, nunca chegaram a ser concluídas.
O cenário aumenta a pressão sobre John Textor, que já enfrenta questionamentos sobre a gestão financeira da Eagle Football e a relação entre os clubes do grupo. O empresário norte-americano deixou recentemente a gestão direta do Lyon, mas segue ligado ao conglomerado esportivo.
Até o momento, o Botafogo não divulgou posicionamento oficial sobre as novas alegações apresentadas pelo Lyon no relatório financeiro divulgado nesta terça-feira.



