
Uma doença crônica hereditária que causa dores fortíssimas e, se não tratada devidamente, pode levar à falência de órgãos como o baço, fígado e coração, a anemia falciforme, agora tem uma sala para atendimento no Complexo de Saúde Jorge David, no Centro de Nilópolis. O espaço foi inaugurado na manhã de terça-feira, 6 de maio, com a presença de várias autoridades.
O secretário municipal de Saúde, André Esteves, em parceria com o secretário de Cidadania e Direitos Humanos, Renato da Van, via Superintendência da Igualdade Racial, idealizaram e criaram a sala para atender e orientar os 68 pacientes, crianças e adultos, portadores da doença no município.
A defensora pública Mariana Pauzeiro, do 4º Núcleo Regional de Tutela Coletiva (4º NREGT), elogiou a iniciativa e salientou que a cidade se tornou a primeira da Baixada Fluminense a ter um ponto focal. ” Nilópolis tem 68% de população negra, afetada predominantemente por esse mal de origem hereditária. É uma vitória termos aqui uma equipe multidisciplinar para atendimento aos moradores”, comemorou.
André Esteves enalteceu a persistência da superintendente da Igualdade Racial, Rosimeri Florindo “Ela foi guerreira nessa luta, conversou comigo, com os subsecretário de Saúde André Loureiro e a subsecretária Priscila Garcia, buscou também o apoio da dra. Mariana Pauzeiro e da Superintendência dos Conselhos”, enumerou Esteves, que exaltou ainda a diretora da unidade, Iara de Oliveira.
Renato da Van, por sua vez, afirmou que a criação da sala – também chamada de ponto focal – é um marco importante da cidade na luta contra o racismo. O secretário de Direitos Humanos disse que o prefeito Abraãozinho, o deputado estadual Rafael Nobre e o deputado federal Ricardo Abrão deram total apoio à iniciativa.
Segundo Rosimeri Florindo, a convivência com Mara, que depois veio a falecer, fez com que ela buscasse conhecimento a respeito da doença. Formada em serviço social, ela será a coordenadora da sala e contará com uma equipe formada pela médica Carla Vergueiro de Souza Lima, a enfermeira Fabiana Simões e a técnica de enfermagem Sônia Barbosa.
A criação da sala para atendimento será o primeiro lugar onde os pacientes serão examinados e, só então, se for necessários, serão levados até o HemoRio, na capital, para receberem a transfusão de sangue. E também terão acesso direto à medicação necessária para tratamento. Ali, os doentes que tiverem necessidade, poderão dar entrada no LOAS e no vale social (transporte), entre outros benefícios.
Maria Eduarda Ribeiro, de 20 anos, é falcêmica desde que nasceu. ” Fizeram o teste do pezinho em mim e os médicos informaram meus pais sobre minhas limitações. ” Não posso fazer movimentos repetitivos como andar de bicicleta. As vezes, não consigo andar ou mexer os braços”, conta a estudante de marketing, moradora do bairro Novo Horizonte.
“Há médicos que não sabem como tratar essa doença, tenho que fazer o tratamento no Hemorio, porque necessito sempre de transfusão de sangue, e aqui não tem suporte e nem medicação. Espero que agora tudo mude”, torceu ela, que estava acompanhada da avó Francelina Silva.
Maria Eduarda precisou tirar o baço quando tinha três anos e tem o coração comprometido. Necessita dos benefícios governamentais, como o LOAS, porque está desempregada. Ela vive uma realidade econômica diferente da empresária Chelen Cristina Barreto, 37 anos, mãe de três meninas com 13, 7 e 3 anos.
“Descobri a doença aos 7 anos, porque o teste do pezinho não indicou a anemia falciforme. Depois do resultado positivo, fui encaminhada para o Hemorio. Era uma dor tão forte que me paralisava. Necessitava de transfusões de sangue de tempos em tempos e uso tramal para a dor e calmantes”, recorda Chelen.
Mesmo assim, ela se tornou uma empresária do ramo da estética em Nilópólis, casou e tem três filhas que, felizmente não têm a doença. A caçula nasceu prematura por causa de seu bproblema de saúde ” Fiquei muito feliz com a inauguração desse espaço. Da última vez, tive que ficar internada durante 8 dias e fazer uma campanha para doação de sangue porque não havia sangue nos bancos de sangue”, recordou.
Entre as autoridades presentes, estavam ainda os secretários de Cultura, Antônio Costa, de Fazenda, Janaína Tellini, de Turismo, Leo Monteiro; a superintendente dos Direitos da Mulher, Nilcéa Cardoso, o vereador Esmar França – que representou a Câmara de Vereadores de Nilópolis – os subsecretários de Saúde, André Loureiro, e Priscila Garcia.
Rafael Silva, diretor do Banco de Sangue do CTN( Centro de Tratamento de Nova Iguaçu), instalado ao lado do Hospital das Clínicas, em Juscelino, Mesquita, também participou. Ele auxiliou na campanha de doação de sangue de Chelen.
Serviço
Complexo de Saúde Dr. Jorge David
Rua Senador Fernando Mendes, sem número, Centro de Nilópolis
Atendimento
Médica e assistente social – 2a e 3a f – 9h às 17h
Enfermeira e técnica de enfermagem – 4a, 5a e 6a – 9h às 17h


