Panorama

ONU cobra libertação imediata de Thiago Ávila e espanhol detidos por Israel

Thiago Ávila detido em Israel -Divulgação / Estado de Israel

A Organização das Nações Unidas (ONU) solicitou, nesta quarta-feira (6), a libertação imediata do brasileiro Thiago Ávila e do ativista espanhol-palestino Saif Abu Keshek, detidos por Israel após participarem de uma flotilha com destino à Faixa de Gaza. A entidade também pediu a abertura de investigação sobre denúncias de maus-tratos durante a detenção.

Os dois ativistas estão presos na cidade de Ashkelon, em Israel, desde a semana passada. Eles foram capturados quando embarcações da chamada “Flotilha Global Sumud” foram interceptadas por forças israelenses em águas próximas à ilha de Creta, na Grécia.

De acordo com o porta-voz do escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas, Thameen Al-Kheetan, a detenção é considerada irregular. Em nota oficial, ele afirmou que Israel deve libertar os ativistas “de forma imediata e incondicional”, ressaltando que eles continuam presos sem qualquer acusação formal.

A ONU também destacou que ações de solidariedade humanitária não podem ser tratadas como crime. Segundo o comunicado, os integrantes da flotilha tinham como objetivo levar ajuda à população palestina em Gaza, região afetada por anos de conflito.

A iniciativa partiu de embarcações que saíram de países como França, Espanha e Itália, com a proposta de romper o bloqueio imposto ao território e entregar suprimentos essenciais.

Denúncias de maus-tratos e greve de fome

Advogados dos ativistas acusam autoridades israelenses de abuso durante a detenção. Segundo relatos, tanto Thiago Ávila quanto Saif Abu Keshek iniciaram uma greve de fome em protesto contra as condições em que estão sendo mantidos.

A ONU classificou os relatos como “perturbadores” e reforçou a necessidade de investigação. O órgão também cobrou que eventuais responsáveis sejam responsabilizados judicialmente.

Além disso, o organismo internacional criticou o uso de leis antiterrorismo consideradas amplas e pouco claras, apontando possível incompatibilidade com normas internacionais de direitos humanos.

Acusações e contexto

O governo de Israel afirma que os ativistas teriam ligação com o grupo Hamas — organização classificada como terrorista por diversos países. No entanto, essa acusação é negada pelos detidos.

A Justiça israelense já autorizou a prorrogação da prisão por mais dois dias, enquanto o caso segue em análise.

Tragédia familiar

Em meio à situação, uma notícia agravou ainda mais o drama vivido pelo brasileiro. A mãe de Thiago Ávila, Teresa Regina de Ávila e Silva, morreu na última terça-feira (5), em Brasília, aos 63 anos, após enfrentar problemas de saúde.

Até o momento, não há confirmação se o ativista já foi informado sobre a morte da mãe. Pessoas próximas afirmam preocupação com o impacto emocional da notícia, considerando que ele permanece detido e incomunicável.

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