
A adoção da tarifa zero no transporte público nas capitais brasileiras pode gerar um forte impacto econômico e social no país. Segundo um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a medida poderia injetar até R$ 60,3 bilhões por ano na economia.
De acordo com a pesquisa, mesmo considerando os benefícios já existentes — como gratuidades para idosos, estudantes e pessoas com deficiência — o impacto líquido seria de aproximadamente R$ 45,6 bilhões anuais circulando diretamente na economia.
Os pesquisadores destacam que a gratuidade no transporte funcionaria como uma espécie de “salário indireto”, ao reduzir gastos obrigatórios das famílias com deslocamento. Com mais dinheiro disponível, a tendência seria de aumento no consumo e, consequentemente, na arrecadação de impostos.
O levantamento também aponta que a política teria maior impacto sobre populações mais vulneráveis, incluindo moradores de periferias e a população negra, contribuindo para a redução de desigualdades sociais.
A proposta é defendida como uma política pública de grande alcance, comparável a programas históricos de transferência de renda, ao ampliar o acesso a direitos básicos como mobilidade urbana.
Para viabilizar a medida, o estudo sugere alternativas de financiamento, como a reformulação do modelo atual de vale-transporte, com participação de empresas públicas e privadas. Segundo os pesquisadores, a maioria dos estabelecimentos poderia ficar isenta dessa contribuição, o que reduziria o impacto direto sobre o setor produtivo.
A análise utiliza dados recentes de mobilidade urbana e reforça o debate sobre a ampliação do acesso ao transporte como instrumento de desenvolvimento econômico e inclusão social no país.


