
Um pedido formal encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reacendeu o debate sobre inclusão religiosa no processo democrático brasileiro. Representantes da comunidade judaica solicitaram a ampliação do horário de votação no primeiro turno das eleições de 2026, marcado para o dia 4 de outubro.
A solicitação tem como base a coincidência da data com o Simchat Torá, importante feriado religioso do judaísmo. Para praticantes mais observantes, o período impõe restrições que inviabilizam a participação no pleito dentro do horário tradicional das urnas.
Restrição religiosa pode impedir participação de eleitores
O Simchat Torá, que celebra o encerramento e reinício do ciclo anual de leitura da Torá, começa ao pôr do sol do dia anterior e se estende até o anoitecer do dia seguinte. Em 2026, a celebração ocorre entre os dias 3 e 4 de outubro.
Durante esse período, judeus que seguem rigorosamente as tradições religiosas não podem realizar atividades como dirigir, escrever ou utilizar dispositivos eletrônicos — o que, na prática, impede o deslocamento até os locais de votação.
Como o horário oficial das eleições se encerra às 17h, enquanto o anoitecer está previsto para cerca de 18h40, parte dessa população ficaria impossibilitada de votar sem descumprir sua fé.
Proposta prevê seções com horário estendido
A proposta apresentada ao TSE não pede mudança na data das eleições, mas sim uma solução pontual: a criação de seções eleitorais específicas, em cidades com maior concentração da comunidade judaica, com funcionamento estendido até as 20h.
Segundo os organizadores do pedido, eleitores, inclusive não judeus poderiam se cadastrar previamente para votar nesses locais com horário ampliado.
A expectativa é que a medida seja aplicada em pelo menos dez cidades brasileiras.
Direito ao voto e liberdade religiosa
De acordo com a Confederação Israelita do Brasil (Conib), o país possui cerca de 120 mil judeus. Para os representantes da comunidade, a proposta busca garantir um direito fundamental sem que haja conflito com convicções religiosas.
A advogada Monica Rosenberg, porta-voz do movimento, afirmou que o objetivo é assegurar a participação democrática de todos:
“Ninguém deveria ter que escolher entre a fé e o voto. Esse não é um pedido de privilégio, mas de inclusão.”
O Tribunal Superior Eleitoral ainda não se manifestou oficialmente sobre o pedido. A análise caberá à Corte, que tem autonomia para avaliar a viabilidade da proposta dentro das regras eleitorais vigentes.
Enquanto isso, o tema levanta discussões mais amplas sobre acessibilidade eleitoral e a adaptação do sistema democrático à diversidade cultural e religiosa do Brasil.

