
A comercialização de atestados médicos falsos pela internet tem se expandido e já é alvo de investigação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. O esquema permite que usuários obtenham documentos sem qualquer consulta médica, inclusive com informações inconsistentes, como no caso de um homem que conseguiu um atestado por cólica menstrual.
A prática chamou a atenção após empresários identificarem irregularidades em documentos apresentados por funcionários. Em um dos casos, um comerciante de Copacabana desconfiou de atestados digitais apresentados por uma funcionária e decidiu testar o sistema. Sem passar por consulta, ele conseguiu adquirir um documento médico falso pela internet.
As investigações estão sendo conduzidas por delegacias como a 13ª DP e a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, que apuram a atuação de sites e contatos que vendem os atestados de forma ilegal.
O funcionamento do esquema é simples: plataformas oferecem listas de doenças, permitem escolher o tempo de afastamento e cobram valores que variam conforme o período. Após o pagamento, geralmente via PIX, o usuário recebe o documento com aparência profissional, incluindo QR Code — muitas vezes inválido ou com dados divergentes.
Médicos também têm sido vítimas do golpe, com seus nomes e registros sendo utilizados sem autorização. Profissionais relatam que não emitiram os documentos e que as assinaturas e formatos não correspondem aos utilizados oficialmente.
Além do impacto nas empresas, que enfrentam aumento de faltas injustificadas, a prática pode trazer consequências legais graves. Segundo especialistas, o uso de atestado falso pode resultar em pena de até três anos de prisão, além de multa e demissão por justa causa. Médicos envolvidos também podem responder criminalmente e perder o registro profissional.
Enquanto as investigações avançam, empresas têm buscado formas de reforçar a verificação dos documentos apresentados, diante do crescimento desse tipo de fraude.



