Panorama

Garotinho anuncia candidatura ao governo do RJ se STF definir eleição direta

Anthony Garotinho
O ex-governador do RJ Anthony Garotinho. Foto: Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Após ter sua condenação por compra de votos anulada, o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, afirmou nesta segunda-feira (6) que pretende disputar o mandato-tampão caso o Supremo Tribunal Federal (STF) determine que a escolha do novo governador seja feita por voto direto da população.

Segundo Garotinho, a decisão foi tomada em conjunto com o partido Republicanos, que definiu que seu nome será o indicado para a disputa em caso de eleição direta. “O meu partido decidiu que, caso as eleições sejam diretas, o nome indicado para disputar será o meu”, afirmou o ex-governador em publicação nas redes sociais. Ele destacou ainda que pretende enfrentar “as máfias que dominam o Rio de Janeiro” e se posicionou contrário à realização de eleições indiretas, modelo em que os 70 deputados estaduais escolheriam o sucessor do governador Cláudio Castro.

Anulação da condenação e Operação Chequinho

No dia 26 de março, o ministro Cristiano Zanin, do STF, anulou a condenação de Garotinho relacionada à Operação Chequinho, que investigou supostas irregularidades nas eleições municipais de 2016 em Campos dos Goytacazes. Na decisão, Zanin reconheceu que, embora as acusações fossem graves, os elementos reunidos pela investigação não foram suficientes para comprovar os crimes.

Garotinho havia sido condenado a 13 anos e 9 meses de prisão, além de multa, pelos crimes de corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documento público e coação no curso do processo. Segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE), o programa social Cheque Cidadão, que beneficiava mais de 17 mil famílias de baixa renda na época, teria sido usado para cooptar votos para o grupo político de Garotinho. À época, a prefeita de Campos dos Goytacazes era Rosinha Matheus, esposa do ex-governador, enquanto ele ocupava o cargo de secretário municipal de Governo.

Julgamento do STF definirá modelo da eleição

O plenário do STF vai julgar nesta quarta-feira (8) as regras que definirão se a eleição para o mandato-tampão do Rio de Janeiro será direta ou indireta. A sessão, marcada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, contará com debate entre os dez ministros do tribunal e é aguardada com grande expectativa, pois definirá como será escolhido o sucessor do governador Cláudio Castro.

A eleição se tornou necessária após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir pela cassação e inelegibilidade de Cláudio Castro, do ex-vice-governador Thiago Pampolha e do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar. Um dia antes da decisão do TSE, Castro renunciou ao cargo, e desde então o estado está sob administração interina do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto.

Garotinho se posiciona como protagonista na disputa

Com a decisão do STF prestes a ser anunciada, Garotinho se coloca como um dos protagonistas do cenário político do estado. O ex-governador já mobiliza o partido e sinaliza que, em caso de eleição direta, pretende enfrentar os desafios políticos e econômicos do Rio, em especial o que ele define como influência de “máfias” sobre a gestão estadual.

Caso a eleição seja indireta, os 70 deputados estaduais seriam os responsáveis por escolher o novo governador, modelo que Garotinho rejeita e que tornaria a disputa mais complexa politicamente. O desfecho do julgamento no STF, portanto, será determinante para o futuro político do estado e pode redesenhar o mapa das forças partidárias no Rio.

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