
Um levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística trouxe dados alarmantes sobre a realidade de adolescentes no país. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), cerca de 25% das estudantes entre 13 e 17 anos já passaram por algum tipo de violência sexual.
O estudo, realizado em 2024 com mais de 118 mil alunos de escolas públicas e privadas, aponta que essas situações incluem desde toques e beijos sem consentimento até exposição de partes íntimas. Em comparação com a edição anterior, de 2019, houve aumento nos relatos desse tipo de violência.
Outro dado preocupante é que 11,7% das adolescentes afirmaram ter sido coagidas ou forçadas a manter relações sexuais. No total, considerando meninos e meninas, a pesquisa estima mais de 2,2 milhões de vítimas de assédio e cerca de 1,1 milhão de casos de relações forçadas.
Violência ocorre dentro do círculo próximo
Os dados mostram que, na maioria dos casos mais graves, os agressores fazem parte do convívio das vítimas. Entre os adolescentes que relataram relações forçadas, muitos apontaram familiares, parceiros ou pessoas próximas como responsáveis.
Já nos casos de assédio, como toques ou abordagens sem consentimento, aparecem tanto conhecidos quanto desconhecidos, indicando que a violência ocorre em diferentes contextos.
Idade e vulnerabilidade
A pesquisa também chama atenção para a idade em que esses episódios acontecem. Enquanto o assédio é mais relatado entre adolescentes mais velhas, a maioria das vítimas de violência sexual mais grave sofreu os abusos ainda muito jovem — muitas antes dos 14 anos.
Além disso, os índices são mais elevados entre estudantes da rede pública quando se trata de relações forçadas.
Gravidez precoce e riscos
O levantamento aponta ainda que milhares de adolescentes já engravidaram, principalmente na rede pública de ensino. Em alguns estados, os índices superam 10%.
Outro ponto de alerta é o uso irregular de métodos contraceptivos. Embora a maioria relate o uso de preservativo na primeira relação, esse cuidado diminui com o tempo, o que aumenta os riscos de gravidez não planejada e infecções.
Início da vida sexual e prevenção
Apesar de uma leve queda na proporção de jovens que já iniciaram a vida sexual em relação a anos anteriores, muitos ainda têm a primeira relação antes dos 14 anos, idade mínima de consentimento no Brasil.
Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à educação sexual, proteção de crianças e adolescentes e fortalecimento de redes de apoio, especialmente dentro das famílias e das escolas.



