Panorama

Operação mira esquema milionário ligado a Adriano da Nóbrega no Rio

Adriano da Nóbrega: miliciano morto teve esposa e mãe trabalhando para  Flávio Bolsonaro
Adriano da Nóbrega, ex-miliciano morto em 2020 era um dos chefes da organização criminosa. Reprodução

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) realizou, na manhã desta quinta-feira (19), uma operação contra uma organização criminosa ligada ao ex-miliciano Adriano da Nóbrega. Ao todo, foram cumpridos dois mandados de prisão e seis de busca e apreensão.

Segundo o MPRJ, 19 pessoas foram denunciadas por participação em um esquema milionário de lavagem de dinheiro. Entre os investigados está um deputado federal, cuja identidade não foi divulgada. Até o momento, não há mandados de prisão contra o parlamentar.

As investigações apontam que o grupo atuava na ocultação de recursos provenientes do jogo do bicho, com forte atuação na Zona Sul do Rio, especialmente em Copacabana. A organização teria ligação direta com Adriano da Nóbrega e com o bicheiro Bernardo Bello.

De acordo com o Ministério Público, empresas de fachada eram utilizadas para movimentar o dinheiro ilícito. Apenas quatro dessas empresas somaram mais de R$ 8,5 milhões em transações em pouco mais de um ano. Entre os estabelecimentos identificados estão um depósito de bebidas, um bar, um restaurante e um quiosque em um shopping na Zona Norte, que sozinho movimentou cerca de R$ 2 milhões em seis meses.

As apurações também indicam a ocultação de patrimônio do grupo. Dois imóveis rurais, avaliados em R$ 3,5 milhões e pertencentes a Adriano da Nóbrega, estavam registrados em nome de terceiros. Após a morte do ex-miliciano, a viúva, Julia Lotufo, teria negociado esses bens, mesmo ciente das investigações em andamento.

Ainda segundo o MPRJ, a organização criminosa continuou operando mesmo após a morte de Adriano. O grupo teria mantido e ampliado suas atividades em áreas como agiotagem, contravenção e mercado imobiliário irregular, sob gestão de Julia Lotufo.

As denúncias foram divididas em três ações penais, que tratam da lavagem de dinheiro, da estrutura da organização criminosa e da ocultação de bens. A operação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI).

Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope, foi apontado como um dos principais líderes de milícia no Rio de Janeiro. Ele morreu em fevereiro de 2020, durante uma operação policial na Bahia. A versão oficial aponta confronto com policiais, mas o caso gerou controvérsias e segue alvo de questionamentos.

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