
A demissão de Filipe Luís do comando do Flamengo pegou o próprio treinador de surpresa e expôs um desgaste que vinha se acumulando desde o início de sua trajetória no clube. A saída, confirmada após a goleada por 8 a 0 sobre o Madureira, caiu como uma bomba no vestiário, mas internamente o clima já era tenso há meses.
Filipe assumiu o cargo depois da saída de Tite e foi inicialmente anunciado como interino. A repercussão negativa levou a diretoria, ainda na gestão de Rodolfo Landim, a efetivá-lo até o fim de 2025. Apesar do respaldo contratual e da idolatria da torcida, a nova administração, liderada por Luiz Eduardo Baptista, não o tinha como primeira opção.
Nos bastidores, era evidente que sua permanência não foi um movimento idealizado pela nova cúpula. O primeiro ruído surgiu justamente aí. O segundo envolveu a relação com José Boto. A amizade entre ambos era vista por parte da diretoria como excessiva, gerando desconfiança. Tentativas de interferência do treinador em decisões administrativas, como mudanças no departamento médico e na comunicação, desagradaram o presidente.
Outros episódios ampliaram o desgaste. Filipe apoiou publicamente Gerson em meio a críticas envolvendo o estafe do jogador e manteve o meia como capitão. Já no caso de Pedro, críticas públicas do treinador foram interpretadas como prejudiciais ao valor de mercado do atacante.
A renovação contratual também foi turbulenta, especialmente após a entrada do empresário Jorge Mendes nas negociações. O alto salário pedido aumentou a resistência interna.
O estopim ocorreu após o vazamento de uma reunião em que Baptista cobrou o técnico. Sentindo-se exposto e cada vez mais isolado, Filipe deixou claro o incômodo. A declaração recente sobre a influência da torcida reforçou o clima de ruptura. Mesmo após uma vitória expressiva, a diretoria optou pela demissão, encerrando um ciclo marcado por atritos constantes e confiança fragilizada.


