
A defesa do rapper Oruam — nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno — protocolou na Justiça um laudo médico que aponta que o cantor apresenta transtornos psíquicos. O artista, de 25 anos, é réu por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação realizada em julho do ano passado, no bairro do Joá, na Zona Oeste do Rio.
De acordo com o documento clínico, Oruam está em acompanhamento psiquiátrico e apresenta quadro compatível com transtorno de ansiedade associado a transtorno depressivo moderado. O relatório indica prejuízo funcional relevante, com impacto na capacidade de manter estabilidade emocional, atenção prolongada e resistência ao estresse.
O julgamento que ocorreria na última segunda-feira (23), no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, foi adiado para 30 de março após a ausência de uma das vítimas no processo.
O laudo também menciona que o estado emocional do cantor pode estar sendo agravado pela possibilidade de retorno ao sistema prisional, além de condições de saúde anteriores e questões familiares. O profissional responsável recomenda que o tratamento seja realizado fora do ambiente carcerário, sob o argumento de que o encarceramento poderia intensificar o quadro clínico.
Tornozeleira desligada e nova ordem de prisão
Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (Seap), a tornozeleira eletrônica do artista está desligada desde 1º de fevereiro. O equipamento havia sido instalado no fim de setembro, quando ele deixou a prisão após decisão do Superior Tribunal de Justiça.
Ainda conforme a Seap, houve dezenas de violações do monitoramento por falta de carregamento do aparelho. Diante das irregularidades, o STJ revogou o habeas corpus concedido anteriormente. Na decisão, o ministro Joel Ilan Paciornik apontou descumprimento reiterado das medidas cautelares, o que comprometeu a fiscalização.
Além das acusações de tentativa de homicídio, Oruam também responde por resistência, desacato, ameaça e dano qualificado. Atualmente, ele é considerado foragido da Justiça.



