Santiago Peña foi colocado em prisão domiciliar nesta sexta-feira (6), após ser destituído pelo Senado. Crise envolvendo o Ueno Bank deixou milhões de clientes sem acesso ao dinheiro e provocou uma mudança no comando do país.

O Paraguai enfrenta uma grave crise política e financeira após a destituição e prisão domiciliar do ex-presidente Santiago Peña, de 47 anos, nesta sexta-feira (6 de novembro). O político foi afastado do cargo pelo Senado, em uma votação unânime, após o colapso do banco digital Ueno Bank, instituição financeira com a qual manteve vínculos empresariais.
A prisão ocorreu em Assunção, capital paraguaia, poucas horas depois da conclusão do processo de impeachment. A medida foi determinada no âmbito das investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos e a administração da instituição bancária.
Peña havia anunciado sua renúncia na quinta-feira (5), mas o Congresso decidiu dar continuidade ao julgamento político. Com a destituição, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu oficialmente a Presidência da República.
Escândalo bancário provocou crise nacional
O episódio que desencadeou a queda do governo começou com a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição digital que atendia milhões de cidadãos.
A identificação de problemas financeiros e suspeitas de operações irregulares levou à paralisação dos serviços do banco, deixando clientes impossibilitados de movimentar contas, realizar pagamentos e retirar suas economias.
A situação atingiu uma parcela significativa da população, incluindo trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas públicos.
O banco também administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores relacionados à Previdência Social paraguaia.
O envolvimento de dinheiro público na instituição ampliou a repercussão do caso e intensificou as cobranças por esclarecimentos sobre a atuação das autoridades responsáveis pela fiscalização financeira.
Senado aprova destituição por unanimidade
Diante da pressão popular e das investigações, o Congresso iniciou um processo de impeachment contra Santiago Peña.
Na sexta-feira (6), os 44 senadores presentes aprovaram sua destituição por unanimidade, sob acusações de mau desempenho no exercício das funções presidenciais.
Parlamentares questionaram a relação do ex-presidente com o Ueno Bank e a destinação de recursos públicos à instituição.
Peña havia apresentado sua renúncia um dia antes, alegando que pretendia evitar o agravamento da instabilidade política. Entretanto, os congressistas optaram por concluir o processo de impeachment, em vez de aceitar o pedido de saída voluntária.
A decisão marcou uma mudança abrupta no comando do país, poucos dias após o início da crise bancária.
Ex-presidente permanecerá em prisão domiciliar
Após a votação, autoridades paraguaias determinaram a prisão domiciliar de Santiago Peña.
O ex-presidente passou a permanecer sob vigilância policial em sua residência, em Assunção, enquanto o Ministério Público conduz as investigações.
Entre as suspeitas examinadas estão possíveis crimes de lesão de confiança, tráfico de influência e utilização do cargo público para obtenção de benefícios indevidos.
Peña nega ter cometido irregularidades. A prisão é uma medida cautelar e não representa condenação criminal.
O ex-mandatário foi convocado a comparecer ao Ministério Público neste sábado (7) para prestar esclarecimentos sobre as acusações.
A investigação também alcança antigos integrantes da administração pública e dirigentes ligados ao sistema financeiro.
Pedro Alliana assume a Presidência do Paraguai
Com a destituição de Santiago Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana, de 52 anos, tomou posse como novo presidente paraguaio.
Alliana deverá concluir o mandato presidencial, previsto para terminar em agosto de 2028.
A nova administração assume o governo diante do desafio de restabelecer a confiança nas instituições, enfrentar os efeitos da crise financeira e garantir respostas aos cidadãos que tiveram seus recursos bloqueados.
O próprio novo presidente também é citado em investigações relacionadas ao caso bancário.
População cobra devolução dos valores bloqueados
A crise do Ueno Bank desencadeou manifestações populares em Assunção, com correntistas exigindo a liberação de suas economias e a responsabilização dos envolvidos.
Manifestantes acompanharam a votação do impeachment e voltaram a se reunir nas proximidades da residência de Peña após a confirmação de sua prisão domiciliar.
As autoridades financeiras trabalham na recuperação dos recursos e no pagamento dos depositantes por meio dos mecanismos de garantia bancária.
O desdobramento das investigações e a recuperação dos valores bloqueados deverão continuar entre os principais desafios do Paraguai nos próximos meses.
Fontes: Reuters, Associated Press e Infobae — informações divulgadas em 6 de novembro de 2026.



