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Panorama

Presidente do Paraguai renuncia em meio à crise bancária, mas Câmara mantém processo de impeachment

 

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise bancária que deixou milhões de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. Apesar da decisão, a Câmara dos Deputados rejeitou o pedido de renúncia e aprovou, por unanimidade, o prosseguimento do processo de impeachment contra o chefe do Executivo.

A crise teve início após o fechamento do banco digital Ueno, na terça-feira (3), por determinação do Banco Central paraguaio. A instituição apresentava insuficiência de recursos para cumprir suas obrigações, situação relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao próprio grupo financeiro.

O caso ganhou repercussão política porque Peña foi acionista do grupo proprietário do banco até março de 2025. A oposição acusa o presidente de conflito de interesses, manipulação de regras e possível envolvimento em irregularidades relacionadas à instituição financeira.

Segundo as informações divulgadas, o banco tinha aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.

Renúncia não interrompe processo

Clientes do banco ueno fazem protesto em Assunção, no Paraguai, em 5 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP

Em um pronunciamento divulgado nas redes sociais, Peña afirmou que decidiu deixar o cargo pensando na estabilidade do país e na preservação das instituições democráticas. Ele também pediu desculpas aos paraguaios que perderam o acesso ao dinheiro depositado na instituição.

A oposição, entretanto, questionou a tentativa de renúncia. Parlamentares argumentaram que a saída voluntária poderia garantir ao presidente a condição de senador vitalício, prevista na Constituição paraguaia para ex-presidentes, criando uma proteção contra possíveis responsabilizações judiciais.

Com a rejeição da renúncia e a aprovação do prosseguimento do impeachment, a tentativa de saída do cargo não encerrou a crise política.

Vice-presidente poderá assumir

O processo de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana foi rejeitado pelos deputados, abrindo caminho para que ele assuma a Presidência, conforme os procedimentos constitucionais.

Enquanto isso, a crise financeira continua provocando preocupação entre os paraguaios. Executivos ligados ao banco Ueno foram alvo de mandados de prisão, e a Procuradoria informou que 27 pessoas relacionadas à instituição foram formalmente acusadas.

O Banco Central também iniciou medidas para permitir que os clientes recuperem os valores depositados.

Santiago Peña assumiu a Presidência em agosto de 2023 e tinha mandato previsto até 2028. A crise bancária representa um dos episódios mais graves de instabilidade política enfrentados por seu governo.

 

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