Cantor e compositor quer fortalecer novamente os bailões e aproximar a nova geração de um ritmo que faz parte de sua própria história
Por Niano Ferreira

“Eu sou do swing. Eu vivi isso. Vi os bailões cheios, a galera dançando, se encontrando e curtindo esse som. E eu não quero ver essa história acabar.”
É assim que o cantor e compositor Dhema, com mais de quatro décadas de trajetória musical, resume uma bandeira que vem defendendo: “O Swing Não Pode Acabar.”
Não se trata de colocar um ritmo contra o outro. Dhema reconhece a força que o samba e o pagode conquistaram e continuam demonstrando pelo Brasil. Sua preocupação é com outro movimento, também carregado de história e identidade, que precisa continuar encontrando espaço: o swing, o samba-rock e a cultura dos grandes bailões.
“O samba está forte, o pagode está forte, graças a Deus. Tem muita gente boa fazendo acontecer. O que eu digo é: e o nosso swing? Cadê os bailões? Cadê aquela galera que gosta de dançar? A gente também precisa manter essa chama acesa”, afirma Dhema.
UM SOM QUE NÃO PODE FICAR APENAS NA MEMÓRIA
Quem viveu a época dos grandes bailes sabe que o swing nunca foi somente música.
Era o encontro. A roupa escolhida para aquela noite. O casal na pista. O giro. O passo ensaiado. A banda tocando, o DJ comandando e um salão inteiro respondendo ao mesmo balanço.
Dhema conhece esse universo de perto. O swing faz parte de sua formação e de sua trajetória artística.
Quando fala do gênero, o cantor lembra de uma história construída por grandes referências da música brasileira. Jorge Ben Jor tornou-se um dos nomes fundamentais quando se fala em samba-rock e balanço. Ao longo das décadas, o universo dos bailes também dialogou com o samba, o pagode e diferentes vertentes da música negra brasileira.
Mas Dhema não quer transformar essa conversa apenas em saudade.
Ele quer falar de futuro.
“PRECISAMOS TRAZER A GAROTADA”
Para o cantor, preservar o swing significa também apresentá-lo a uma nova geração.
“Se ficar só a nossa geração falando que antigamente era bom, uma hora acaba. Temos que trazer a garotada. Mostrar o swing, ensinar a dança, fazer baile, colocar banda para tocar. Quando o jovem conhece e sente o balanço, ele entende.”
A resistência dessa cultura continua sendo percebida em diferentes regiões do país.
São Paulo mantém uma forte relação com o samba-rock e com seus bailes, enquanto no Rio Grande do Sul o gênero também conquistou identidade, dançarinos e um público apaixonado.
Para Dhema, essas manifestações mostram que o swing continua vivo. O desafio agora é fortalecer novamente os espaços para que artistas, músicos, compositores, DJs, produtores e dançarinos possam manter essa cultura circulando.
CADÊ OS BAILÕES?
A pergunta de Dhema é direta.
“Eu quero ver bailão. Quero ver gente dançando. Quero ver banda de swing trabalhando, músico trabalhando, compositor fazendo música nova e DJ tocando esse som. Porque, se a gente não fizer barulho, daqui a pouco fica só na lembrança. E eu não aceito isso.”
É justamente dessa inquietação que surge uma frase que começa a ganhar força:
O SWING NÃO PODE ACABAR.
Não como uma disputa com o samba.
Não como uma disputa com o pagode.
Mas como um chamado para que uma cultura que marcou pistas de dança, encontros e gerações continue conquistando seu espaço.
Depois de mais de quatro décadas vivendo de música, Dhema resume:
“Enquanto eu puder cantar, vou defender o swing. Quero juntar essa galera novamente, fortalecer os bailões e trazer gente nova para perto. Porque esse som faz parte da nossa história. E história a gente não joga fora. A gente passa para frente.
O swing não pode acabar.”
Por Neno Ferreira



