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Panorama

Polícia interdita centros cirúrgicos de grupo investigado por três mortes no Rio

Operação da Delegacia do Consumidor mira unidades do Grupo Celita Toledo, em Laranjeiras; investigação reúne mais de 30 denúncias de pacientes que relatam sequelas e irregularidades em procedimentos estéticos

Fachada da Clínica Celita Toledo, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio — Foto: Reprodução

A Polícia Civil realizou, na manhã desta quarta-feira (21), a Operação Por Elas, para cumprir uma determinação judicial de interdição dos centros cirúrgicos de três estabelecimentos ligados ao Grupo Celita Toledo, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A empresa é investigada após a morte de três pacientes submetidas a procedimentos estéticos. Segundo a corporação, mais de 30 denúncias contra o grupo estão sob apuração.

A ação é conduzida por agentes da Delegacia do Consumidor (Decon), com acompanhamento de fiscais do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) e do Instituto Municipal de Vigilância Sanitária (Ivisa-Rio). As equipes cumprem mandados de busca e apreensão na Rua Soares Cabral, onde funcionam o Hospital Ênio Serra, o Laranjeiras Plastic Day Hospital e o Centro de Estética Celita Toledo.

Além das interdições, os policiais procuram prontuários médicos de pacientes que denunciaram problemas após as cirurgias. De acordo com a investigação, houve relatos de deformidades, mutilações e sequelas permanentes decorrentes de intervenções realizadas nos estabelecimentos.

Polícia apura atuação de profissionais em formação

Entre os pontos investigados está a suspeita de que alunos de cursos de pós-graduação em cirurgia plástica realizavam procedimentos sem a supervisão adequada de um médico responsável. A Polícia Civil também apura possíveis irregularidades relacionadas ao uso da força de trabalho pela empresa.

O delegado Wellington Vieira, titular da Decon, afirmou que a operação busca garantir o cumprimento da decisão judicial que proibiu o funcionamento dos centros cirúrgicos. Ele alertou que pacientes com procedimentos agendados devem procurar as unidades para solicitar a devolução dos valores pagos.

Segundo o delegado, a restrição pode atingir cirurgias previstas para o restante de outubro e possivelmente novembro. Caso haja dificuldades para receber o reembolso ou outras irregularidades, os pacientes podem procurar uma delegacia da Polícia Civil.

A apreensão dos prontuários também foi determinada pela Justiça. Conforme Wellington Vieira, pacientes relataram dificuldades para obter os próprios documentos médicos, embora tenham direito de solicitá-los. O delegado afirmou ainda que os investigadores encontraram dificuldades para localizar e organizar os arquivos, que estariam armazenados sem um método adequado.

Mãe relata apreensão após cirurgia da filha

A movimentação policial provocou preocupação em familiares de pacientes atendidas pelo grupo. Marcele Paiva, mãe de uma mulher que permanecia internada em uma das unidades, contou que a filha passou por uma abdominoplastia na noite de terça-feira (20), um dia antes da operação.

Ela afirmou que já tinha conhecimento das investigações e chegou a pedir que a filha não realizasse o procedimento naquele momento, mas a jovem decidiu seguir com a cirurgia. Apesar do receio provocado pela presença dos policiais, Marcele disse ter se sentido tranquilizada pelo atendimento recebido da equipe médica.

Em agosto, a Decon já havia realizado outra operação em um estabelecimento ligado ao grupo. Na ocasião, os agentes apreenderam produtos fora do prazo de validade. Adriano Silva do Nascimento se apresentou como proprietário de uma das unidades e foi preso em flagrante por crimes contra as relações de consumo. Ele pagou fiança e foi liberado.

As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias das três mortes e verificar as demais denúncias apresentadas por pacientes.

Celita Toledo contesta denúncias

As unidades são vinculadas a Celita da Silva Toledo, que concorreu ao cargo de deputada federal pelo Republicanos nas eleições de 2026. Ela recebeu 1.817 votos e ficou como suplente.

Em publicações nas redes sociais, Celita questionou a quantidade de ocorrências investigadas e afirmou que parte dos relatos não teria relação direta com a atuação do projeto. Como exemplo, mencionou uma reclamação sobre a suposta grosseria de um médico e defendeu que cada profissional deve responder pelos próprios atos.

A empresária também afirmou que o grupo realizou 9.524 procedimentos em três anos e argumentou que o volume de denúncias seria pequeno diante desse total. Ela declarou que pretende apresentar os esclarecimentos necessários por meio do departamento jurídico.

Em outra publicação, Celita disse que os pacientes têm direito a reparos no pós-operatório e negou que esse tipo de assistência seja recusado. Segundo ela, o projeto oferece estrutura hospitalar com atendimento de emergência e centro de tratamento intensivo (CTI) durante 24 horas para pacientes submetidos às cirurgias.

No domingo (18), a empresária também publicou um texto sobre a responsabilidade dos pacientes durante a recuperação. Ela afirmou que o pós-operatório exige comprometimento com as orientações médicas, mas reconheceu que complicações podem ocorrer mesmo quando os procedimentos são realizados corretamente.

A reportagem informou que ainda tenta localizar a defesa da empresa e mantém o espaço aberto para manifestação.

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