Pedido de sindicância foi apresentado por Luiz Fernando Moncau após a presidente chamar críticos de “meia dúzia de imbecis”; conflito ocorre em meio a questionamentos sobre a compra da SAF do Vasco por Marcos Lamacchia

A relação entre a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, e integrantes da oposição ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (19). Durante reunião do Conselho Deliberativo, o conselheiro Luiz Fernando Moncau, do grupo Ocupa Palestra, pediu a abertura de uma sindicância contra a dirigente por declarações consideradas ofensivas a críticos de sua gestão.
O pedido foi motivado por uma fala recente de Leila, que classificou opositores como “meia dúzia de imbecis” ao rebater questionamentos sobre sua dedicação ao clube. A declaração ocorreu em meio à polêmica envolvendo a aquisição da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco pelo empresário Marcos Lamacchia, enteado da presidente palmeirense.
Marcos é filho de José Roberto Lamacchia, conselheiro do Palmeiras. A negociação levantou questionamentos entre integrantes da oposição sobre um possível conflito de interesses.
Em um encontro com conselheiros, realizado em uma pizzaria, Leila defendeu que seu compromisso com o clube permanece integral. “Até dezembro de 2027, minha dedicação e a do meu marido são integrais ao Palmeiras”, afirmou, ao contestar as críticas.
Oposição cobra tratamento igualitário
Ao apresentar o pedido de sindicância, Moncau argumentou que as regras internas precisam ser aplicadas de forma equivalente a todos os integrantes do clube, independentemente do cargo que ocupam. O conselheiro citou o caso de José Corona Neto, que recebeu uma suspensão de nove meses após críticas dirigidas à presidente.
Durante seu pronunciamento, Moncau afirmou que as declarações de Leila também deveriam ser analisadas pelo Conselho Deliberativo. Ele pediu que o registro de sua solicitação constasse na ata da reunião e defendeu a apuração de outras manifestações que, em sua avaliação, poderiam configurar ofensas.
Leila estava presente no encontro, mas não se pronunciou sobre a cobrança. Caberá ao presidente do Conselho Deliberativo, Alcyr Ramos, decidir se o pedido da oposição será atendido.
Conselheiro recebeu suspensão de nove meses
A reunião também marcou a decisão de suspender José Corona Neto por nove meses. A punição foi aprovada por 121 votos favoráveis, 42 contrários e 33 abstenções, após críticas feitas pelo conselheiro à presidente em dezembro do ano passado.
Na ocasião, Corona questionou a capacidade de Leila para comandar o clube e criticou os mais de R$ 700 milhões investidos em contratações ao longo de 2025. Ele também se posicionou contra uma possível mudança estatutária que permitiria à dirigente concorrer a um terceiro mandato.
Leila reagiu às declarações, chamou Corona de “covarde” por ele não permanecer no local para ouvir sua resposta e afirmou que não aceitaria desrespeito. A presidente também ameaçou recorrer à Justiça.
A divergência sobre a punição e o novo pedido de investigação ampliam o embate político dentro do Palmeiras, que agora aguarda uma decisão sobre a solicitação apresentada pela oposição.


