Mostra reúne 27 obras de dez artistas contemporâneas e estabelece diálogos com a produção de pioneiras das artes visuais do século XX
O que aproxima as obras de mulheres artistas que viveram e produziram no século XX da produção de uma nova geração de artistas da Baixada Fluminense? Essa é uma das perguntas que atravessam “Correspondências”, exposição que reúne dez artistas contemporâneas da região e será aberta no dia 7 de novembro, no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (CMAHO), na Praça Onze, no Rio de Janeiro. Com apoio da FAPERJ, a mostra permanece em cartaz até 2 de janeiro, com visitação gratuita de segunda a sábado, das 10h às 18h.
Pinturas, esculturas, instalações, gravuras, vídeos, fotocolagens e objetos compõem a mostra, que reúne artistas de Nova Iguaçu, São João de Meriti, Belford Roxo, Magé, Guapimirim e Mesquita. São produções que partem de experiências diversas, mas encontram pontos de contato em questões como identidade, ancestralidade, negritude, território, religiosidade, maternidade, violência, família, cotidiano e mobilidade urbana.
Participam da exposição Asmahen Jaloul, Karine de Souza, Marina de Souza, Nicole Torres, Pietra Canle, Priscila Rooxo, Roberta Holiday, Thais Basilio, Val Pires (Xilopretura) e Juliana Cavalcanti di Siqueira. Entre elas estão mulheres negras, uma artista trans, uma artista com deficiência e uma artista de origem libanesa-brasileira, compondo um panorama plural da produção contemporânea da região.
A exposição tem como fio condutor o conceito de tempo espiralar, da pesquisadora Leda Maria Martins, segundo o qual o passado não fica para trás, mas continua presente e ganha novos sentidos ao longo do tempo. A partir dessa ideia, as obras das artistas da Baixada Fluminense dialogam com a produção de mulheres que atuaram no século XX, aproximando diferentes gerações por meio de temas como ancestralidade, identidade e religiosidade.
A proposta é identificar correspondências entre temas e questões que atravessaram a produção de mulheres artistas no século XX e que permanecem presentes — ainda que sob novas perspectivas — no trabalho das criadoras da Baixada. E também de reconhecer como essas experiências continuam reverberando, transformando-se e produzindo novos sentidos a partir das vivências e dos territórios de cada uma das artistas.
“Procuramos traçar ‘correspondências’ visuais que não enquadram as artistas em rótulos, mas tensionam as narrativas oficiais. Unindo vozes contemporâneas da Baixada Fluminense a nomes femininos da nossa história da arte, apresentamos a memória como um acontecimento vivo e em contínua reinvenção”, explica a pesquisadora Tamara Campos, coordenadora geral e curadora da mostra, ao lado de João Paulo Ovídio e Beatriz Roza.
Além das obras, a exposição propõe ao visitante uma experiência de pesquisa e descoberta. QR codes distribuídos pela mostra permitem acessar informações sobre trabalhos realizados por mulheres artistas ao longo do século XX que estabelecem relações com as obras expostas. Algumas das peças apresentadas são inéditas ou foram concebidas especialmente para “Correspondências”.
A proposta amplia, assim, o olhar sobre a produção artística feminina no estado do Rio de Janeiro e aproxima a história da arte de experiências contemporâneas de territórios historicamente menos representados nos circuitos institucionais.
A mostra fica em cartaz até 2 de janeiro, com visitação de segunda a sábado, das 10h às 18h.
Serviço Exposição Correspondências
Abertura: 7 de novembro
Período 7 de novembro a 2 de janeiro. O espaço não funcionará nos dias 24 e 25 de dezembro e 31 de dezembro e 1 de janeiro.
Local: Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (CMAHO) – Praça Onze, Rio de Janeiro
Visitação: segunda a sábado, das 10h às 18h
Entrada gratuita



