Coleção reúne desenhos, fotografias, maquetes e projetos que imaginaram o futuro do Rio de Janeiro e marcaram a arquitetura da cidade

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) recebeu oficialmente a doação do acervo do arquiteto Sérgio Bernardes, com cerca de 50 mil itens. A coleção reúne croquis, fotografias, plantas e maquetes de projetos que marcaram a arquitetura carioca, além de propostas que imaginavam como seria o Rio de Janeiro no ano 2000.
O material estava guardado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da universidade havia mais de dez anos. Com a oficialização da doação, a instituição passa a manter sob sua guarda os documentos de um dos principais nomes da arquitetura modernista brasileira. O acervo está disponível para consulta de estudantes e pesquisadores.
Projetos imaginavam o Rio do futuro
Em 1965, Sérgio Bernardes apresentou propostas para transformar a paisagem urbana do Rio de Janeiro. Entre as ideias estavam um túnel sob a Baía de Guanabara para ligar a capital a Niterói, pontes com hotéis e centros comerciais integrados e edifícios em espiral, projetados para aproveitar a luz solar, a ventilação natural e a vegetação.
As propostas foram publicadas em uma edição especial da revista Manchete. Na época, a travessia entre Rio e Niterói era feita por barcas, mas o arquiteto já explorava diferentes possibilidades de conexão entre as duas cidades.
Uma das pontes previstas teria hotéis integrados à estrutura. A outra funcionaria também como porto, com espaços para atracação de navios, alfândega e áreas comerciais.
Os edifícios em espiral, por sua vez, buscavam oferecer iluminação natural, circulação de ar e vistas em diferentes direções.
Acervo preserva obras importantes da cidade
A coleção também reúne registros de projetos que fazem parte da paisagem carioca, como os postos de salvamento de Copacabana. Desenhadas com formato inspirado em uma quilha, as estruturas foram concebidas para interferir o mínimo possível na paisagem da praia.
Outro destaque são as plantas originais do Pavilhão de São Cristóvão. A maquete preservada permite observar a cobertura que existia na inauguração do espaço, no início da década de 1960, mas que não foi reconstruída após ceder.
Segundo pesquisadores da FAU/UFRJ, a cobertura chegou a ser considerada a estrutura com o maior vão livre do mundo na época da inauguração.
O acervo foi declarado de interesse público e social e é considerado patrimônio brasileiro. Para a universidade, a preservação dos documentos no país amplia as possibilidades de pesquisa sobre a arquitetura moderna e permite que novas gerações conheçam os processos criativos do arquiteto.
Documentos de Burle Marx também estão na faculdade
Além do material de Sérgio Bernardes, a FAU/UFRJ mantém documentos de outros nomes importantes da arquitetura moderna brasileira. Entre eles estão desenhos originais de Roberto Burle Marx para o mosaico do Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, conhecido como Pedregulho, em Benfica, na Zona Norte do Rio.
Projetado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy e concluído na década de 1950, o conjunto foi construído para abrigar funcionários públicos do então Distrito Federal.
A preservação desses registros permite acompanhar as soluções arquitetônicas e artísticas que contribuíram para transformar a cidade e que continuam presentes nos debates sobre urbanismo e ocupação dos espaços urbanos.



