Pular para o conteúdo principal

Panorama

PF faz buscas em Niterói em investigação sobre suposto esquema envolvendo desembargador

Operação Em Nome do Pai apura possível pagamento de vantagens indevidas para beneficiar empresas dos setores imobiliário e da construção civil

Felipe Cavalcanti/TJRJ

A Polícia Federal realiza, nesta quinta-feira (8), uma operação para investigar um possível esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo decisões judiciais. Ao todo, seis mandados de busca e apreensão são cumpridos em endereços de Icaraí, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

O principal alvo é o desembargador Alexandre Eduardo Scisinio, da 15ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Investigação mira suposto favorecimento a empresas

Batizada de Operação Em Nome do Pai, a ação busca aprofundar uma investigação sobre possíveis benefícios concedidos a empresas dos setores imobiliário e da construção civil por meio de decisões e ordens judiciais.

De acordo com a PF, os investigadores apuram se vantagens indevidas teriam chegado à família do magistrado por diferentes meios. Entre as formas citadas estão a transferência de imóveis, descontos comerciais considerados excepcionais, pagamentos indiretos e o uso de pessoas interpostas e empresas relacionadas aos investigados.

A apuração teve origem em informações encaminhadas pela Corregedoria Geral do TJRJ, após a abertura de um procedimento administrativo para analisar a conduta do desembargador.

Suspeitas envolvem períodos diferentes

Segundo a Polícia Federal, os possíveis atos de corrupção teriam ocorrido quando Scisinio ainda atuava como magistrado de primeira instância.

Já as suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro teriam continuado posteriormente. Essa continuidade, de acordo com a corporação, permitiu que as medidas de busca fossem realizadas agora.

A investigação apura fatos que podem configurar crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação.

Dinheiro e celular são apreendidos

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam dinheiro, um celular e documentos em um dos endereços investigados.

O TJRJ informou que não comenta decisões tomadas por instâncias superiores. O tribunal também citou as restrições previstas na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) para manifestações de magistrados sobre processos, decisões e atos de órgãos judiciais.

A reportagem procurou o gabinete de Alexandre Scisinio por e-mail, enviado às 8h22, mas não havia recebido resposta até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.

Trajetória na Justiça

Scisinio ingressou na Defensoria Pública em 1982 e passou a integrar a magistratura fluminense em 1992. Ao longo da carreira, foi juiz dirigente do 2º Núcleo Regional e titular das comarcas de São Pedro da Aldeia, Iguaba e Niterói, onde atuou na 9ª Vara Cível.

Em janeiro de 2021, tomou posse como desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Compartilhar :

Facebook
Twitter