Marcel Rodrigues Fernandes recebia cerca de R$ 8 mil quando ocupava cargo público; PF e MPRJ apontam ligação com esquema de venda de armas para o TCP

A investigação da Operação Magen, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Rio (MPRJ), identificou uma movimentação financeira de mais de R$ 33 milhões em cinco anos atribuída a Marcel Rodrigues Fernandes, um dos cinco presos na quarta-feira (7). Ele já ocupou cargo comissionado na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), com salário de aproximadamente R$ 8 mil.
Marcel foi localizado em um hotel de luxo na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, onde os agentes encontraram um fuzil calibre 7.62 dentro do quarto. Na residência dele, em Angra dos Reis, outro armamento do mesmo calibre foi apreendido.
A operação investiga um grupo suspeito de comercializar armas para o Terceiro Comando Puro (TCP) e de repassar informações sigilosas a integrantes da facção.
Investigação começou com celular ligado a Peixão
Segundo o MPRJ e a PF, as apurações tiveram início a partir da análise de um celular atribuído a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como chefe do TCP.
As conversas encontradas no aparelho teriam revelado a atuação de policiais e outros agentes na obtenção de armamentos para a organização criminosa.
A investigação aponta que o grupo negociou pelo menos 22 armas, entre elas 13 fuzis calibre 5.56. Também foram identificadas negociações envolvendo granadas e uniformes da Polícia Civil.
Marcel permaneceu em um cargo comissionado na Alerj até outubro de 2025. Antes disso, também ocupou uma função no Detran-RJ, da qual foi exonerado em maio deste ano.
Cinco pessoas foram presas
Além de Marcel, foram presos:
- Eduardo Thales Lopes Pires, ex-policial militar que ocupou cargo comissionado na Alerj entre 2022 e 2024;
- José Carlos Ribeiro de Campos, ex-PM;
- Johan Borja Portela, policial militar da ativa e lotado no Batalhão Ambiental;
- Vitor Hugo Marinho Garcia, conhecido como Batata, ex-PM apontado como líder do grupo investigado.
Batata foi localizado em Nova Iguaçu. Na casa dele, os agentes encontraram um fuzil, uma granada, R$ 67 mil em espécie e 14 celulares.
Ele também havia trabalhado na Presidência do Detran-RJ até maio deste ano. De acordo com o órgão, foi exonerado pela atual administração.
Policial civil é procurado
O policial civil Carlos Barnabé Santos Souza, que permanece na ativa, também é investigado. De acordo com a apuração, ele teria fornecido informações sigilosas para integrantes do grupo utilizarem em extorsões contra criminosos procurados pela Justiça.
Carlos Barnabé e Peixão não foram encontrados e são considerados foragidos.
O Gaesf informou que os investigados foram denunciados pelo Ministério Público e se tornaram réus. Entre os crimes atribuídos ao grupo estão organização criminosa armada, comércio ilegal de armas, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional, além de acusações relacionadas ao tráfico de drogas e armas e à usura.
Corregedorias abrem procedimentos
A Corregedoria da Polícia Civil informou que instaurou um processo administrativo disciplinar para apurar a conduta de Carlos Barnabé. A instituição afirmou que não compactua com desvios praticados por servidores e que adotará as medidas cabíveis diante de eventuais irregularidades.
A Polícia Militar também informou que vai abrir procedimento administrativo para analisar a conduta dos agentes envolvidos na investigação. A corporação declarou que mantém compromisso com a transparência e que não tolera crimes ou desvios cometidos por seus integrantes.
Até a publicação da reportagem, a Alerj não havia se manifestado sobre os citados na investigação.



