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Panorama

Família de menina de 2 anos morta após violência em Nova Iguaçu relata dor seis dias após crime

Prima da criança afirma que caso desestruturou a família; padrasto foi preso após investigação apontar violência física e sexual

Reprodução

Seis dias após a morte de uma menina de 2 anos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a família ainda tenta lidar com a perda e com as circunstâncias do crime. Ellen Cristine, prima da criança e bacharel em Direito, relatou o impacto da violência sobre os familiares e afirmou que a mãe da menina ainda não conseguiu retornar à casa onde o caso aconteceu.

A criança morreu após dar entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Miguel Couto com sinais de violência física e abuso sexual. Exames periciais apontaram lesões graves, incluindo rompimento de órgãos internos e lacerações.

O padrasto foi preso em flagrante no dia seguinte pela 54ª DP (Belford Roxo). De acordo com a investigação, ele inicialmente apresentou uma versão de que a menina teria se engasgado e sofrido uma queda acidental, mas posteriormente confessou o crime.

Família tenta amparar a mãe

Segundo Ellen, a mãe da menina permanece abalada e tem recebido o apoio dos familiares. Ela contou que procura conversar diariamente com a prima e também fica com a outra filha da mulher para que ela possa descansar.

A família já havia enfrentado outra perda recentemente. Em dezembro do ano passado, a mãe da criança perdeu um filho em decorrência de uma doença. Agora, está grávida de cinco meses do homem preso pelo crime.

“Ela perdeu um neném por doença. Dói, mas era algo alheio à nossa vontade. Com ela não, foi diferente”, afirmou Ellen.

A prima também relatou a dimensão da violência e disse que a família ainda tenta compreender o que aconteceu.

Investigação derrubou versão apresentada pelo padrasto

A criança foi levada à UPA na terça-feira, 29 de setembro, apresentando sinais que levantaram suspeitas de violência. A investigação da Polícia Civil e os exames periciais identificaram lesões incompatíveis com a versão inicialmente apresentada pelo padrasto.

Ele foi preso em flagrante e, posteriormente, teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada dois dias após a prisão.

O enterro da menina aconteceu em 30 de setembro, no Cemitério Municipal de Nova Iguaçu.

Prima pede fim da culpabilização das mães

Formada em Direito, Ellen afirmou que acompanha as questões relacionadas ao processo e reconhece que a prisão preventiva não representa o fim da investigação ou do processo judicial.

Para ela, além da responsabilização do acusado, é necessário evitar que a mãe da criança seja responsabilizada socialmente pelo crime cometido por outra pessoa.

“Ninguém é culpado por confiar em alguém. Ninguém vem com letreiro na testa e consegue adivinhar o futuro”, declarou.

A defesa do homem não foi localizada pela reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.

 

 

Informações: ODia.

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