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Panorama

Operação mira ex-secretária de Educação do RJ por suspeita de fraude em obras escolares

Investigação aponta possíveis contratos superfaturados e desvio de recursos públicos; 19 mandados de busca são cumpridos no Rio, na Baixada e na Região dos Lagos

Reprodução / TV Globo

Uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Civil busca, nesta quinta-feira (1º), aprofundar a apuração sobre um suposto esquema envolvendo recursos destinados a reformas de escolas estaduais. Ao todo, 19 mandados de busca e apreensão são cumpridos em diferentes pontos do estado.

A ação, batizada de Operação Escola de Papel, tem como alvos pessoas físicas e empresas investigadas por possíveis irregularidades em contratos firmados entre 2024 e 2025. Entre os investigados está a ex-secretária estadual de Educação Roberta Barreto de Oliveira, que ocupou o cargo entre março de 2023 e fevereiro de 2026.

Também são investigados o genro da ex-secretária, Yurie Lopes Fonseca Ormonde André, o ex-subsecretário de Gestão Administrativa David de Andrade Marinho Filho e o empresário Fabio Martins Pereira.

Segundo o MPRJ, os contratos analisados apresentaram indícios de direcionamento de empresas, cobrança de valores acima do custo dos serviços e posterior movimentação dos recursos para dificultar o rastreamento do dinheiro. A apuração envolve suspeitas de corrupção ativa e passiva, peculato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Como funcionaria o esquema

De acordo com a investigação, os recursos destinados às obras saíam da Secretaria de Estado de Educação e eram encaminhados às Associações de Apoio às Escolas (AAEs), entidades responsáveis por administrar verbas destinadas à manutenção das unidades.

Depois, os valores eram repassados às empresas contratadas para executar as reformas. Os investigadores identificaram situações em que o montante pago seria superior ao custo efetivo das obras.

Após os pagamentos, parte do dinheiro teria sido retirada em espécie ou enviada para outras empresas relacionadas ao grupo. A movimentação, segundo o Ministério Público, dificultava a identificação dos destinatários finais dos valores.

Apreensão de R$ 500 mil ajudou investigação

Um dos principais pontos da apuração ocorreu em 16 de janeiro de 2026, quando policiais apreenderam R$ 500 mil em dinheiro na saída de uma agência bancária em Duque de Caxias.

Segundo o MPRJ, o dinheiro estava dentro de uma sacola plástica em uma caminhonete conduzida por um policial militar armado, que seria responsável pela segurança do transporte.

O administrador da empresa que havia sacado o dinheiro afirmou, em depoimento, que recebeu aproximadamente R$ 6 milhões para executar cerca de 15 obras, mas somente R$ 2 milhões teriam sido efetivamente usados nos serviços. Os outros R$ 4 milhões, segundo o relato, teriam ficado com um intermediário responsável pelas contratações e pela movimentação das contas.

A análise dos dados financeiros apontou ainda que uma das empresas investigadas recebeu aproximadamente R$ 19,8 milhões em recursos públicos apenas em 2025. No mesmo período, foram identificados cerca de R$ 8,93 milhões em saques em espécie.

A Justiça determinou ainda o bloqueio de aproximadamente R$ 19 milhões em bens dos investigados. A investigação continua para identificar os possíveis beneficiários dos valores e esclarecer a participação de cada envolvido.

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