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Panorama

Lula anuncia plano piloto no Rio para retomar territórios dominados pelo crime

Presidente diz que estratégia terá presença permanente do Estado e poderá ser levada a outros estados

Reprodução / Youtube

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (18) que o Rio de Janeiro será o primeiro estado a receber uma nova estratégia do governo federal para a retomada de territórios sob domínio de organizações criminosas. A iniciativa prevê atuação conjunta com o governo estadual e presença permanente do poder público nas áreas recuperadas.

Em entrevista à Rádio Tupi, Lula disse que o enfrentamento ao crime organizado está concentrado em três frentes: enfraquecer a estrutura financeira e logística das organizações criminosas, recuperar áreas onde esses grupos exercem controle territorial e aumentar a capacidade de atuação dos municípios.

“Você não pode levantar sabendo que seu bairro tem um dono. Não pode comprar gás tendo que pagar um pedágio. A rua é sua, o bairro é seu”, afirmou o presidente.

A estratégia para o Rio já vinha sendo estruturada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. No início de setembro, União e governo estadual assinaram acordos para integrar forças federais e estaduais, realizar ações de inteligência, combater atividades econômicas exploradas pelo crime e ampliar a presença de serviços públicos nos territórios retomados.

Nesta quinta-feira (17), uma nova reunião no Escritório Nacional Antifacção do Rio definiu a elaboração dos primeiros planos operacionais integrados para áreas e corredores logísticos considerados prioritários.

Segundo Lula, a experiência fluminense poderá servir de modelo para outros estados caso apresente resultados.

Lula critica ações temporárias

Durante a entrevista, o presidente também criticou operações baseadas apenas em ocupações temporárias das Forças Armadas por meio de decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Para ele, a retirada das forças depois de alguns meses permite que organizações criminosas retomem o controle das áreas.

“É preciso colocar fixo. A polícia precisa atuar 24 horas por dia durante 365 dias por ano”, declarou.

O acordo firmado entre União e Estado prevê que a retomada territorial não fique limitada às operações policiais. O planejamento inclui ações de segurança, infraestrutura, desenvolvimento social e econômico, acesso à Justiça e enfrentamento das fontes de financiamento das organizações criminosas.

PEC e mudanças nos presídios

Lula voltou a defender a PEC da Segurança Pública, proposta que está em tramitação no Senado e busca ampliar a coordenação nacional das políticas de segurança, fortalecer a cooperação entre União, estados e municípios e inserir o Sistema Único de Segurança Pública na Constituição.

Outra frente citada pelo governo é o projeto Padrão Segurança Máxima, que contempla 138 unidades prisionais consideradas estratégicas. A iniciativa prevê modernização tecnológica, fortalecimento da inteligência e medidas para dificultar a comunicação entre lideranças criminosas e grupos que atuam fora das prisões.

Entrevista também teve críticas a adversários

Durante a conversa, Lula elogiou a atuação do governador interino do Rio, o desembargador Ricardo Couto de Castro, que participa das ações integradas com o governo federal.

O presidente também fez acusações políticas contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), associando integrantes da família Bolsonaro a milicianos no Rio. As declarações foram feitas por Lula durante a entrevista e devem ser tratadas como acusações do presidente, não como conclusões independentes sobre o senador.

Lula ainda voltou a fazer críticas relacionadas ao caso Banco Master e ao ex-governador Cláudio Castro. O caso é alvo de diferentes investigações e disputas políticas, e as declarações do presidente representam sua interpretação sobre os episódios.

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