Paralisação foi aprovada após negociações salariais terminarem sem acordo; empresa diz ter adotado medidas para manter as entregas

Trabalhadores dos Correios iniciaram nesta sexta-feira (11) uma greve por tempo indeterminado após assembleias realizadas em diferentes estados do país aprovarem a paralisação.
A mobilização foi confirmada pela Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect) e ocorre após novas rodadas de negociação entre representantes dos funcionários e a direção da estatal terminarem sem acordo.
Um dos principais pontos de impasse envolve o plano de saúde dos empregados. Segundo a federação, os trabalhadores rejeitam mudanças propostas pela empresa no benefício e afirmam que houve tentativas de mediação junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas sem consenso.
Sindicatos de praticamente todo o país aderiram à greve, incluindo representações do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, entre outras regiões. No Acre, uma assembleia ainda estava prevista para esta sexta.
Ainda não há um balanço nacional sobre o impacto da paralisação nas agências e nos serviços de entrega. Na Paraíba, por exemplo, o sindicato local informou que apenas atividades administrativas internas permaneciam em funcionamento.
Correios anunciam plano para reduzir impacto
Em nota, os Correios afirmaram que colocaram em prática um Plano de Continuidade de Negócios para tentar preservar os serviços durante a paralisação.
Entre as medidas anunciadas estão remanejamento de funcionários, reforço de equipes operacionais e mudanças na logística para reduzir atrasos e manter as entregas.
A greve acontece em meio a uma situação financeira delicada da estatal. Os Correios acumulam 15 trimestres consecutivos de prejuízo e fecharam o primeiro semestre de 2026 com resultado negativo de R$ 5,6 bilhões.
A empresa também aguarda uma nova operação de crédito de R$ 7 bilhões, prevista para este mês, como parte da estratégia para reforçar o caixa e reorganizar as contas.
Resposta dos Correios
“Diante do anúncio de paralisação por entidades sindicais, os Correios executam seu Plano de Continuidade de Negócios, com medidas para garantir a manutenção dos serviços e minimizar eventuais impactos aos clientes.
Entre as ações estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e a adoção de medidas logísticas específicas para preservar a regularidade das entregas em todo o país.
A empresa esteve empenhada na construção de uma solução negociada e apresentou uma proposta que contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente. Entre os pontos, estão o reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, e a manutenção da assistência à saúde dos empregados.
Os Correios reafirmam seu compromisso com a valorização dos empregados e a continuidade da prestação dos serviços postais à população brasileira.”


