
Dois caminhões foram incendiados na Avenida Brasil, na manhã desta segunda-feira (24), em meio à segunda etapa da ocupação da Polícia Militar no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio. Segundo a PM, os ataques foram uma reação de criminosos à presença das forças de segurança na região.
Por volta das 9h40, homens armados interceptaram os veículos na altura de Coelho Neto, renderam os motoristas e obrigaram que os caminhões fossem atravessados na pista. Em seguida, atearam fogo nos veículos, provocando a interrupção do trânsito.
Até a última atualização, quatro homens haviam sido presos. Dois fuzis e uma granada também foram apreendidos. Não havia registro de feridos.
Tiroteios durante a madrugada
A nova etapa da operação começou ainda durante a madrugada, com cerca de 200 policiais mobilizados e atuação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) em Vigário Geral e Parada de Lucas.
A chegada das equipes foi marcada por confrontos. Diante dos tiroteios, a Polícia Militar decidiu interromper preventivamente, por volta das 2h30, o tráfego na Avenida Brasil, na Linha Vermelha e na Rodovia Washington Luís. As vias permaneceram fechadas por aproximadamente 30 minutos.
Horas depois, com os caminhões incendiados, a Avenida Brasil voltou a sofrer bloqueios. O sentido Centro permaneceu interditado, enquanto, na pista oposta, veículos foram direcionados para a calha do BRT.
Escolas e linhas de ônibus afetadas
A operação e os bloqueios provocaram reflexos na rotina da região. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, oito unidades escolares foram impactadas.
O transporte público também sofreu alterações. Segundo o Rio Ônibus, 20 linhas precisaram modificar seus trajetos:
- 300 (Sulacap-Candelária)
- 369 (Bangu-Candelária)
- 378 (Marechal Hermes-Castelo)
- 384 (Pavuna-Passeio)
- 386 (Anchieta-Candelária)
- 388 (Cesarão-Candelária)
- 393 (Bangu-Candelária)
- 397 (Campo Grande-Candelária)
- 399 (Pavuna-Passeio)
- 665 (Pavuna-Saens Pena)
- SVB665 (Pavuna-Saens Pena)
- 753 (Santa Cruz-Coelho Neto)
- 756 (Santa Cruz-Coelho Neto)
- 757 (Sepetiba-Coelho Neto)
- 759 (Cesarão-Coelho Neto)
- 770 (Campo Grande-Coelho Neto)
- 771 (Campo Grande-Coelho Neto)
- 2303 (Cesarão-Castelo)
- 2336 (Campo Grande-Castelo)
- 2339 (Campo Grande-Castelo)
Ocupação começou na sexta-feira
Esta é a segunda etapa da ocupação do Complexo de Israel, área formada por comunidades de Cordovil, Parada de Lucas e Vigário Geral e dominada pelo Terceiro Comando Puro (TCP). Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau também integram o conjunto de comunidades.
A primeira fase teve início na sexta-feira (21), quando policiais avançaram sobre Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas. Durante a ação, foram encontradas barricadas e veículos preparados com explosivos, que, segundo a PM, poderiam ser acionados durante a aproximação dos agentes.
Ainda na sexta, a corporação anunciou que permaneceria no Complexo de Israel por tempo indeterminado. Mais de 10 toneladas de materiais utilizados em barricadas foram retiradas, além da liberação de três vias que estavam bloqueadas por valas.
Segundo a Polícia Militar, a ocupação busca enfraquecer grupos envolvidos em roubos de veículos e cargas, além de conter disputas territoriais entre o TCP e o Comando Vermelho (CV).
A corporação afirma ainda que a operação pretende combater casos de perseguição e intolerância religiosa registrados na região, incluindo ataques contra praticantes de religiões de matriz africana e outros grupos religiosos.



