
A utilização de inteligência artificial em campanhas eleitorais encontra resistência entre a maioria dos brasileiros, segundo levantamento Genial/Quaest. A pesquisa mostra que 73% dos eleitores desaprovam o uso de IA na propaganda de candidatos nas eleições de 2026.
Por outro lado, 21% são favoráveis à utilização da tecnologia durante a disputa. Outros 3% afirmaram que o uso de IA não faz diferença, enquanto 3% não souberam ou preferiram não responder.
A rejeição é maior entre as mulheres: 78% são contrárias ao uso da ferramenta, contra 69% entre os homens.
O levantamento também identificou diferenças na percepção dos eleitores conforme o posicionamento político. A desaprovação chega a 79% entre eleitores de esquerda que não se identificam com o lulismo e é de 69% entre eleitores de direita que não se identificam com o bolsonarismo.
Entre os independentes, 75% rejeitam o uso de IA nas campanhas. O índice é de 70% entre bolsonaristas e 73% entre lulistas.
Debate sobre regras para IA nas eleições
A pesquisa foi divulgada em meio à discussão sobre os limites para utilização da inteligência artificial durante a campanha eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para esta terça-feira (18) uma reunião para tratar da regulamentação da tecnologia e do uso de conteúdos manipulados por IA nas eleições.
O assunto ganhou destaque após a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizar, em julho, um vídeo produzido com inteligência artificial que reproduzia a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O PT levou o caso à Justiça Eleitoral, alegando que o conteúdo poderia ser enquadrado como deepfake e estaria sujeito às restrições eleitorais. O partido também questionou a divulgação do material antes do início oficial da campanha, apontando possível propaganda eleitoral antecipada.
A defesa de Flávio Bolsonaro argumentou ao TSE que a inteligência artificial amplia recursos técnicos disponíveis na política e que não seria possível eliminar completamente a ferramenta do ambiente eleitoral.
Como a pesquisa foi feita
A Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre 10 e 13 de agosto de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-06773/2026.



