
A Delegacia do Consumidor (Decon) investiga a suspeita de que médicos estrangeiros tenham realizado procedimentos estéticos em uma clínica localizada em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde uma paciente morreu após uma cirurgia plástica. Além desse caso, outras seis ocorrências envolvendo complicações decorrentes de intervenções estéticas também estão sendo apuradas.
Segundo o delegado Wellington Vieira, titular da Decon, a principal linha de investigação aponta que profissionais estrangeiros, alunos de cursos de pós-graduação em seus países de origem, estariam vindo ao Brasil para aprender técnicas cirúrgicas e participando da realização de procedimentos na clínica.
Diante das suspeitas, a Polícia Civil informou que encaminhou um ofício ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) para auxiliar nas investigações.
Morte após cirurgia
O caso que deu início às investigações foi o da paciente Isabely Viana, de 42 anos, que morreu cinco dias após passar por uma abdominoplastia.
De acordo com o marido da vítima, Cosme de Vasconcellos, Isabely sofreu duas paradas cardiorrespiratórias durante o procedimento cirúrgico, realizado em 12 de junho. Ela entrou em coma e não resistiu.
O endereço investigado reúne unidades ligadas ao Grupo de Saúde Celita Toledo, incluindo a clínica utilizada para consultas, o Laranjeiras Plastic Day Hospital, destinado às cirurgias, e o Hospital Ênio Serra, responsável pelas internações em unidade de terapia intensiva.
Entre os casos analisados pela polícia está o de Daiana Maurina, que afirma ter pago R$ 16 mil por uma cirurgia plástica no abdômen, uma lipoescultura e um procedimento nos glúteos.
Segundo ela, o resultado foi o oposto do esperado. A paciente relata ter ficado com cicatrizes mais extensas, deformidades na região abdominal, dores persistentes e impactos físicos e psicológicos após a cirurgia.
Operação e investigação
Na última terça-feira (4), agentes da Decon realizaram uma operação na clínica após denúncias de pacientes que afirmam ter sofrido deformações em procedimentos estéticos.
Durante a fiscalização, medicamentos com prazo de validade vencido foram encontrados no estabelecimento. Quatro pessoas foram levadas à delegacia para prestar depoimento.
O proprietário do Plastic Day Hospital, Adriano da Silva Nascimento, foi preso em flagrante, mas foi liberado após pagar fiança de R$ 10 mil. Ele responderá ao processo em liberdade.
A Vigilância Sanitária também foi acionada para inspecionar o local, enquanto a Polícia Civil apura se houve irregularidades na prestação dos serviços médicos e na realização das cirurgias.
Defesa
Em publicações nas redes sociais, Celita Toledo afirmou que o Plastic Day Hospital continua em funcionamento. Ela também declarou que as pacientes que alegam ter sofrido complicações deverão comprovar que as intercorrências relatadas foram causadas pelos procedimentos realizados na clínica.



