
A influenciadora digital Nick Frazão, nome social de Nicolly Evangelista do Carmo, presa na segunda-feira (3), exibia nas redes sociais uma rotina de luxo, com viagens internacionais, festas e eventos exclusivos para seus mais de 100 mil seguidores. Paralelamente à atuação como criadora de conteúdo e apresentadora de um podcast voltado ao público trans, ela acumula um histórico de investigações por crimes como roubo, agressão e exploração sexual.
Nas redes sociais, Nick compartilhava registros de viagens por destinos nacionais, como Fortaleza, Balneário Camboriú, Bahia e Foz do Iguaçu, além de publicações feitas em Dubai, Paris, Inglaterra e Ilhas Maldivas. Ela também comandava o podcast PodTmais+, dedicado a temas relacionados à comunidade trans.

Prisão e investigação
A influenciadora foi presa por policiais da 17ª DP (São Cristóvão), com apoio das delegacias da Praça Seca e de Inhaúma. Segundo a Polícia Civil, ela é investigada por pelo menos dois roubos ocorridos na região de São Cristóvão.
Durante a operação, os agentes localizaram Nick em uma casa de alto padrão no bairro de Paciência, na Zona Oeste do Rio. No imóvel, foi encontrado um Hyundai Creta azul, apontado pelos investigadores como semelhante ao veículo utilizado em crimes apurados pela delegacia.
Dentro do carro, os policiais apreenderam um bastão de beisebol com estampa da Barbie, um bastão retrátil, um spray de pimenta e uma faca.
Caso teria começado após programa sexual
As investigações tiveram início após uma vítima relatar ter contratado um programa sexual na região da Rua Ceará, na Zona Norte. Segundo o depoimento, a pessoa entrou em um Hyundai Creta azul, mas decidiu desistir do encontro ao perceber que a situação era diferente do combinado.
Ainda conforme o relato, a vítima foi agredida, teve um cordão de ouro avaliado em aproximadamente R$ 14 mil roubado e, em seguida, foi empurrada para fora do veículo.
A Polícia Civil informou que a vítima reconheceu Nick por fotografia e também identificou seu perfil nas redes sociais. Os investigadores apuram se ela participou de outros roubos com o mesmo modo de atuação.
Histórico criminal
De acordo com a Polícia Civil, Nicolly possui registros de investigações desde 2011.
Naquele ano, ela foi presa em flagrante, quando ainda utilizava outro nome, por furtar um turista em Copacabana. Em 2013, passou a responder por um ataque nos Arcos da Lapa, onde um homem foi agredido, teve um cordão roubado e sofreu golpes de estilete que resultaram em cerca de 70 pontos.
Em 2014, tornou-se alvo de investigação por rufianismo e favorecimento à prostituição, sendo presa posteriormente em Guarulhos por força de um mandado expedido pela Justiça do Rio.
Cinco anos depois, voltou a ser investigada após um roubo na Avenida Mem de Sá deixar uma vítima ferida por um golpe de estilete no rosto.
Já em 2023, foi citada em um registro de ameaça e lesão corporal. Na ocorrência, a vítima afirmou que Nick controlava a prostituição de travestis em Campo Grande, na Zona Oeste, e que teria sido agredida com spray de pimenta e impedida de frequentar o calçadão do bairro. Essas alegações fazem parte da investigação e ainda dependem de apuração judicial.
Em 2024, Nick voltou a ser presa pela Delegacia Especializada em Armas e Explosivos (Desarme) em um processo por roubo, que acabou sendo arquivado no ano seguinte.
Segundo a Polícia Civil, as investigações continuam para verificar a possível participação da influenciadora em outros crimes com características semelhantes. Até a última atualização, a defesa de Nick Frazão não havia se manifestado sobre o caso.



