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Panorama

Vendas no varejo ficam praticamente estáveis em maio, com alta de 0,1%, aponta IBGE

Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

O comércio varejista brasileiro apresentou uma leve recuperação em maio de 2026, com crescimento de 0,1% no volume de vendas em relação a abril, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado vem após uma retração de 1,6% registrada no mês anterior.

Na comparação com maio de 2025, as vendas do varejo cresceram 0,4%. No acumulado de 2026, o setor registra alta de 1,7%, enquanto nos últimos 12 meses o avanço é de 1,4%.

A receita nominal do comércio varejista também apresentou crescimento: subiu 0,1% na comparação mensal, 4,4% frente a maio do ano passado, acumulando alta de 4,2% no ano e 4,8% em 12 meses.

Apesar do resultado positivo, a média móvel trimestral apresentou queda de 0,2% no trimestre encerrado em maio, indicando perda de ritmo na recuperação do setor.

Livros, roupas e eletrodomésticos puxam crescimento

A alta registrada em maio foi influenciada principalmente pelo desempenho de cinco segmentos.

O maior avanço foi observado em livros, jornais, revistas e papelaria, que tiveram crescimento de 15,2% na comparação com abril. Na comparação anual, o setor apresentou alta de 22,5%, o melhor resultado desde setembro de 2022.

Também registraram crescimento no período:

  • Tecidos, vestuário e calçados: +3,1% frente a abril e +3,5% na comparação anual;
  • Móveis e eletrodomésticos: +2,7% no mês e +1,7% frente a maio de 2025;
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e perfumaria: +1,4% no mês e +2,7% na comparação anual;
  • Combustíveis e lubrificantes: +1,1% em relação a abril e +2% frente a maio do ano passado.

O setor farmacêutico manteve uma trajetória positiva e chegou ao 39º mês consecutivo de crescimento na comparação anual, segundo o IBGE. No acumulado de 2026, o segmento registra alta de 4,3%.

Nem todos os setores acompanharam o avanço. Entre abril e maio, três atividades tiveram retração.

Os principais recuos foram:

  • Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação: -1,7%;
  • Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: -1,5%;
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico: -0,3%.

Na comparação com maio de 2025, os equipamentos de informática e comunicação tiveram queda de 4,1%, enquanto supermercados recuaram 0,5%, interrompendo uma sequência de sete meses sem resultados negativos.

Comércio ampliado tem queda de 0,2%

O chamado comércio varejista ampliado, que inclui veículos, materiais de construção e atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, teve desempenho negativo em maio.

O volume de vendas caiu 0,2% em relação a abril e recuou 0,6% na comparação com maio de 2025.

Entre os segmentos ampliados, veículos e motos, partes e peças tiveram resultado positivo, com alta de 1,8% frente a abril e crescimento de 2,2% na comparação anual.

material de construção apresentou queda de 1,8% em relação a maio de 2025, apesar de uma recuperação mensal de 2,1% frente a abril.

O maior impacto negativo veio do atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, que caiu 7,7% na comparação anual.

Estados apresentam resultados diferentes

O desempenho do varejo também variou entre as regiões do país.

Na comparação entre abril e maio, 11 das 27 unidades da Federação tiveram crescimento, com destaque para:

  • Distrito Federal: +1,6%;
  • Acre: +1,5%;
  • Alagoas: +1,5%;
  • Paraíba: +1,5%.

Já entre os estados que registraram queda estão Rondônia (-3,4%), Roraima (-3,4%), Amazonas (-2,8%) e Goiás (-2,8%).

Na comparação com maio de 2025, o varejo cresceu em 12 estados, com destaque para:

  • Tocantins: +12,3%;
  • Pernambuco: +7,4%;
  • Santa Catarina: +7%.

No comércio ampliado, 19 estados tiveram crescimento anual, liderados por Tocantins (+14,3%), Espírito Santo (+7,1%) e Distrito Federal (+6,3%).

Os números do IBGE indicam que o comércio brasileiro segue em trajetória de crescimento, mas com avanço moderado. Enquanto setores ligados a itens específicos, como medicamentos, vestuário e papelaria, apresentaram recuperação, segmentos ligados ao consumo cotidiano, como supermercados, mostraram retração no período.

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