
O ex-deputado federal Chiquinho Brazão voltou a ser alvo da Polícia Federal nesta quinta-feira (9), durante a Operação Emendatio, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares federais.
A operação é um desdobramento das investigações que levaram à condenação de Chiquinho Brazão e de seu irmão, Domingos Brazão, apontados como mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Apesar da origem da investigação, a PF ressalta que o esquema apurado agora não tem relação com o crime ocorrido em março de 2018.
Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de até R$ 100 milhões em bens e ativos dos investigados.
Prisões
A Polícia Federal também cumpriu dois mandados de prisão.
Um dos presos é Raphael da Silva Gonçalves, ex-assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Ele foi detido em sua residência, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital.
O segundo alvo é o policial militar Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, que também atuou como assessor dos irmãos Brazão. Já condenado no caso Marielle, ele permanece preso e teve o mandado cumprido no local onde está detido.
Como funcionava o esquema
Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta que parte dos recursos destinados por meio de emendas parlamentares federais a organizações da sociedade civil (OSCs) teria sido desviada durante a execução de contratos firmados com órgãos da administração pública federal.
De acordo com os investigadores, o grupo utilizava entidades sem fins lucrativos, empresas e pessoas ligadas aos envolvidos para movimentar recursos e ocultar a origem e o destino do dinheiro.
A corporação afirma que há indícios de pagamentos irregulares, uso de empresas interpostas e mecanismos de ocultação patrimonial.
Suspeitas de fraudes
As investigações também apontam possíveis irregularidades nas parcerias firmadas com as organizações investigadas.
Entre as suspeitas levantadas pela Polícia Federal estão superfaturamento de contratos, combinação entre empresas participantes de processos de cotação de preços e até casos de inexecução contratual, em que os serviços previstos não teriam sido efetivamente realizados.
A Operação Emendatio segue em andamento e busca aprofundar a apuração sobre o destino dos recursos públicos e a atuação dos investigados no suposto esquema.



